Nem mesmo a boa produção da festa evitou o imponderável e as gafes na entrega do 8º Prêmio Multishow de Música, realizado anteontem no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, para uma platéia que ia de Marieta Severo à ‘‘ronaldinha’’ Milene Domingues.
O ecletismo dos convidados refletia a peleja heterodoxa, que premiou de Caetano Veloso e Marisa Monte, como melhores cantores, a Wanessa Camargo (revelação solo), filha do cantor sertanejo Zezé Di Camargo, e a dupla Sandy e Júnior (melhor show e melhor clipe).
A mistura – resultado da eleição popular, que recebeu 401.474 votos por e-mail – foi responsável por certos embaraços durante a noite. Wanessa Camargo, a mais assediada pelos fãs na entrada do Municipal, não teve a mesma recepção dentro do teatro.
A cantora, que concorria com Nando Reis, Pedro Mariano, Max de Castro e o pagodeiro romântico Belo, papou a categoria revelação solo, dividindo a platéia entre aplausos e vaias. ‘‘Eu não merecia esse prêmio’’, disse, em modéstia que soou como piada para o coro dos descontentes.
Depois da premiação do ressuscitado Capital Inicial (melhor grupo), a categoria melhor clipe abriu frente para Sandy e seu irmão. A dupla, logo em seguida, ainda levaria o troféu (um disquinho dourado) no páreo de melhor show. Todos imaginavam que Sandy iria cristalizar uma lavada na categoria melhor CD, quando Dona Ivone Lara anunciou: ‘‘Eu já esperava que fosse ela.’’ Quebrando a expectativa, Marisa Monte saiu do envelope como vencedora, para ovação da platéia.
Caetano, ao receber o prêmio de melhor cantor, insinuou uma egotrip mas depois contemporizou. ‘‘Estou com a impressão de que eu mereço esse prêmio’’, disse, deixando uma pausa. ‘‘Mas não porque eu me considere melhor e sim porque, ultimamente, a coisa que eu mais gosto de fazer é cantar. O resto eu acho muito chato.’’
Ao concluir o discurso, Caetano começa a citar os outros concorrentes da categoria, Gilberto Gil, Zeca Pagodinho, quando vem o branco. ‘‘Quem mais que estava concorrendo mesmo?’’, pergunta. A ajuda chega quando alguém sopra o nome de Maurício Manieri e Lulu Santos, que estava na platéia.
A grande gafe da noite, porém, viria em seguida, durante o anúncio da categoria melhor cantora. Angela Maria, ‘‘a sapoti’’, se embanana e começa a errar, seguidamente, o nome das concorrentes, mesmo com a ajuda das imagens no telão. Troca Adriana Calcanhotto por Ivete Sangalo, esta por Marisa Monte, Marisa por Daniela Mercury e esta por Sandy.
‘‘Eu confesso que isso nunca aconteceu comigo’’, diz a cantora, ao perceber a comédia de erros. Angela Maria recupera-se rapidamente. ‘‘Se não acontecesse não teria graça’’, emenda, para os risos da platéia.
A festa termina com o show de Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, que decolou carreira nos Estados Unidos. Nervosa, no início – foi sua primeira apresentação no Rio depois de sete anos–, Bebel recebeu como convidados Otto, Caetano e João Donato. Lá pelo meio do show, parte da eclética platéia começa a ir embora. Quando Sandy e sua turma debandam, Bebel faz biquinho: ‘‘Todo mundo indo embora?’’.
A noite, que teve como momento máximo a homenagem a Tim Maia, com apresentação sincronizada da voz do cantor (cuja imagem era exibida no telão) e sua banda Vitória Régia, ao vivo no palco, chega ao fim.

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