ReproduçãoO Amlima faz um resgate dos mitos africanos andando sobre pernas-de-pau: uma representação de DeusSe tudo correr bem e o tempo colaborar com uma estiagem, o grupo africano Amlima apresenta hoje, à partir das 11h30, no Calçadão em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde, o espetáculo ‘‘Aguto’’. Esta é a primeira vez que o grupo se apresenta na América Latina.
Baseado em tradições culturais e religiosas de várias regiões da República do Togo, o espetáculo estreou na Europa em 1994, com ajuda do grupo catalão Camaleó (que se apresentou em Londrina, no FILO, ano passado). O espetáculo foi roteirizado a partir de festas populares que acontecem em pequenos povoados do Togo, uma vez por ano ou em cerimônias fúnebres de reis. E contam lendas, mitos e fábulas próprias de cada região.
Segundo o diretor do Amlima, Lawson Late Simon, cada um dos integrantes do grupo - cerca de 40 no total - vem de uma região específica e buscam a preservação e o resgate cultural de seu povoado. Assim ‘‘Aguto’’, que significa morcego no dialeto do Togo, faz uma colagem destas várias crenças. ‘‘É uma história do cotidiano do nosso país, mostrado através destas representações. Ali há, por exemplo, a história das pessoas do povoado de Agu que, para fugir da guerra, se esconderam em grutas e foram protegidas por morcegos. Hoje o povoado adora o morcego e o invoca quando as pessoas vão sair para caçar ou cultivar os campos’’ - conta.
Também estão representadas tradições do povoado de Atakpame, cujos moradores vivem em árvores. Lá, as crianças brincam desde pequenas em pernas-de-pau de cinco metros de altura. ‘‘Esta é uma representação de Deus para eles’’ - explica Simon. No espetáculo, cinco integrantes fazem danças acrobáticas nas pernas-de-pau.
Depois de Londrina, o grupo embarca para a Europa. Fazem uma turnê durante o verão na Alemanha, e depois seguem para Holanda, Bélgica, Espanha, Eslovênia, Grécia e Austrália.

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