Há 20 anos uma tradição se consolida. O inverno londrinense é embalado pela diversidade musical exposta em vários gêneros. O 21º Festival de Música de Londrina (FML), que tem início amanhã, traça novamente um panorama da música erudita e popular em grande estilo – oficinas, debates, apresentações e palestras voltadas para a celebração musical que prossegue até o dia 21.
Do mesmo modo que está antenado com a multiplicidade dos estilos musicais, o FML também sofre com as adversidades da política cultural dos últimos anos. ‘‘Gostaríamos de que as empresas voltassem a investir diretamente’’ afirma o diretor artístico do Festival Norton Morozowicz, em clara alusão à prática que predomina no meio cultural brasileiro – a iniciativa privada só investe em projetos por meio de renúncia fiscal. As leis de incentivo municipal e federal (Rouanet) foram as responsáveis pela realização da edição do evento deste ano, orçada em R$ 346 mil. Verbas reduzidas quando comparadas aos orçamentos do FML de edições anteriores que chegaram a contemplar até R$ 500 mil.
O programa Conta Cultura, criado e administrado pela Secretraria Estadual de Cultura, prometeu repasse de R$ 160 mil, enquanto a Lei Municipal de Incentivo à Cultura garantiu R$ 136 mil. O orçamento foi completado pela companhia telefônica municipal Sercomtel (R$ 30 mil), e pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), parceira do FML desde seu início e que oferece esse ano a sua infraestrutura e repasse de R$ 20 mil. Além dos patrocinadores, o FML teve apoio cultural da Cacique, do Bristol Hotelaria, Curso e Colégio Universitário, Jabur e Consórcio União.
O governo estadual ainda não repassou os R$ 100 mil referentes a edição do ano passado, não se atentando a sua responsabilidade em relação ao Festival, já que o FML só foi criado a partir de um decreto estadual, conforme observa Magali Kleber, coordenadora pedagógica do evento.
Entre as novidades desse ano, estão o lançamento do segundo CD da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) composto por clássicos do erudito nacional - ‘‘Fosca’’ de Carlos Gomes, ‘‘Abertura Brasileira’’ de Edino Krieger, ‘‘Ponteado’’ de Guerra Peixe e ‘‘Sinfonia Popular’’ de Radamés Gnatalli. O CD será distribuído nacionalmente e estará à venda amanhã, no Cine Teatro Ouro Verde, a partir das 20h30. O preço ainda não foi definido, mas quem compareceu a sua gravação em dezembro do ano passado pôde presenciar a uma rara empatia entre músicos e público.
Outra boa novidade é o número recorde de inscrições nos 61 cursos do Festival. Já foram inscritos 886 alunos de todo o País, coroando o destaque que o FML sempre deu para os paradigmas da educação musical. Magali Kleber observa que, geralmente, entre os alunos, 60% vêm de Londrina e região, enquanto os 40% restantes são de outros Estados. Segundo a assessoria do Festival, os cursos mais procurados foram ‘‘Técnica Vocal’’ (90 inscrições), ‘‘Construção de Instrumentos’’ (51), ‘‘Música na Infância’’ (59), ‘‘Encontro Suzuki para Professores e Alunos’’ (130) e ‘‘A Criação na Educação Musical’’ (56). Há também cursos que nunca foram oferecidos, como o de ‘‘Acordeon’’ e ‘‘Música na Infância’’.
Na programação artística, os destaques são o músico e compositor Guinga (dia 10), o dodecafonismo do londrinense Arrigo Barnabé e o quinteto ‘‘D’elas’’ de São Paulo (ambos no dia 18), além da Orquestra de Câmara da Filadélfia (dia 20). Os ingressos custam R$ 3 para o Ouro Verde e R$ 1 nas apresentações do Teatro Zaqueu de Mello, com exceção dos recitais de alunos, que são gratuitos. As demais atrações que incluem debates e palestras também são gratuitas.
O maestro Norton Morozowicz pode estar regendo a Osuel pela última vez amanhã. Ele não quis confirmar a sua saída da Orquestra e disse que só irá se pronunciar ao final do Festival. Sobre a sua participação no FML do próximo ano, ele disse que os convites partem do Conselho Delibertaivo do Festival, formado por integrantes das Secretarias Estadual e Municipal de Cultura, da UEL e da Associação dos Amigos do Festival de Música. Morozowicz está regendo desde o primeiro semestre uma orquestra em Ribeirão Preto (SP) e não comandava a Osuel desde o começo do ano.

mockup