ENTRE CORTES E ACORDES
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O Festival de Música de Londrina torna-se, a cada edição, uma empreitada heróica. Mais uma vez, o impasse na definição de verbas prejudicou seu cronograma, a ponto de atrasar a campanha de divulgação.
A um mês de seu início, o 21º Festival de Música foi lançado ontem de manhã numa pequena solenidade no Hotel Bristol, que reuniu representantes de vários setores envolvidos em sua realização entre eles, a Secretaria Municipal de Cultura, o empresariado, a Associação Amigos do FML e a UEL.
Nunca foi tão difícil, chegamos a pensar que não teríamos festival este ano. Fizemos um milagre dos peixes declarou o diretor artístico Norton Morozowicz, anunciando em entrevista coletiva que esta será sua última gestão à frente do evento. Cumprimos uma etapa. No próximo ano, vamos passar o bastão para que outros dêem continuidade completou.
A programação foi fechada a duras penas, obedecendo às circunstâncias. O Festival, enfim, será realizado entre os dias 7 e 21 de julho, no Colégio Mãe de Deus. Como de praxe, vai abrigar cursos, oficinas, palestras e intensa maratona de shows, concertos e recitais. Estão previstos cerca de 40 concertos em espaços como Cine Teatro Ouro Verde, Teatro Zaqueu de Melo, ruas, igrejas e hospitais.
O teatro ComTour, que já foi um cinema, será ocupado pela primeira vez. Entre os destaques da programação constam as presenças dos compositores Guinga e
Arrigo Barnabé. O carioca virá no dia 11 para falar sobre composição para violão e a importância do instrumento dentro da música popular. O londrinense dará um concerto no dia 18, quando também irá ministrar uma oficina sobre seu processo de criação abordando as técnicas seriais de composição.
Guinga é um dos compositores mais significativos da música popular brasileira contemporânea. É considerado pela crítica especializada como um sucessor de Tom Jobim. Já Arrigo representa um resgate de Londrina no festival. Tentamos trazê-lo outras vezes, mas só agora foi possível diz Morozwiski.
Colhidos pelo sai-não-sai dos recursos oficiais, os organizadores deixaram de fechar contatos para a vinda de atrações internacionais, tendo que adequar a programação às indefiniçõse e ao orçamento apertado. Mesmo assim, um intercâmbio com a Universidade da Geórgia vai possibilitar a vinda de dois músicos de peso: o trompetista Fred Mills e contrabaixista Milton Masciadri.
O homenageado nesta edição é o compositor, regente e professor amazonense Cláudio Santoro, morto em 1989. Um recital está programado para lembrar sua obra, reconhecida particularmente pelas 14 sinfonias que compôs. Não deixa de ser um tributo também a exibição do vídeo Koellreutter e a Música Transparente, com direção de Cacá Vicaldi, marcado para o dia 17 na Associação Médica.
Koellreutter, introdutor da música atonal no Brasil, foi homenageado em Londrina em novembro passado, dois meses depois de completar 85 anos. Embora repita uma parte da grade de anos anteriores, a programação do FML traz uma inovação desta vez: o curso de prática de Orquestra de Música Popular Brasileira.
O curso será dirigido por Roberto Gnattali, sobrinho do grande compositor Radamés Gnattali e atual diretor do Conservatório de Música Brasileira de Curitiba. Chama atenção também um curso para a montagem do espetáculo Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra. A idéia é apresentá-lo numa versão musical intercalada com pequenos textos.
A proposta desse curso é interdisciplinar abrangendo as áreas de teatro (para personagens), artes plásticas (para cenário), estilismo e moda (para figurino). Serão selecionados 5 monitores de cada área para trabalhar em sua montagem explica Magali Kleber, a diretora pedagógica do festival. Ainda no segmento pedagógico do FML, prevê-se muita correria atrás de vagas para o Encontro Suzuki.
O encontro tem como objetivo desenvolver um trabalho pedagógico e artístico com professores e alunos discutindo as questões teóricas, filosóficas e práticas que norteiam a metodologia Suzuki, oriunda do Japão e disseminada em todo o mundo. Outra novidade da programação é a Oficina de Acordeon, na qual serão abordados os aspectos técnicos e históricos do instrumento, bem como o repertório, com vista à execução solo e integrada em conjuntos musicais.
Também estréia no evento a Prática de Coro Juvenil, dirigido especificamente para adolescentes com idades entre 13 e 18 anos. Abrimos esse espaço porque antes eles sempre ficavam de fora, por causa das mudanças de voz explica Magali Kléber. Girando também em torno do universo adolescente, o curso Música, Mídia e Juventude discute as possibilidades de interação em sala de aula com o mundo da tecnologia e dos meios de comunicação.
A educação musical não pode ignorar a relação que os jovens têm, em seu dia-a-dia, com as novas mídias. O curso pretende provocar esse debate salienta a diretora pedagógica do FML. Orçado em R$ 372 mil, o festival é promovido pela Prefeitura Municipal de Londrina, Governo do Estado e UEL. Do montante, R$ 190 mil virão da Lei Rouanet (R$ 160 mil do programa Conta Cultura e R$ 30 mil da Sercomtel), R$ 100 mil da Lei de Incentivo à Cultura, R$ 20 mil da UEL e R$ 11 mil da verba destinada no ano passado ao concurso Jovens Solistas (que não foi realizado).
Os organizadores contam ainda com R$ 20 mil das inscrições e aguardam os restantes R$ 26 mil de eventuais investidores. A expectativa é de que 800 alunos façam as inscrições.
As inscrições para o 21º Festival de Música de Londrina podem ser feitas na Secretaria Municipal de Cultura (Praça Primeiro de Maio, 110), Tel/fax (43) 324-7233. Mais informações podem ser obtidas na Internet pelo e-mail [email protected] ou no site www.uel.br/eventos/fml.


