O violeiro paulista Paulo Freire faz uma apresentação especial na Mostra de MPB
DivulgaçãoPaulo Freire: música de raiz com sotaque urbano e camerísticoHá quase um ano ele esteve por aqui com sua viola, sua destreza, suas histórias. Mas o show que Paulo Freire faz hoje logo após a apresentação das músicas selecionadas no ‘‘MPB Londrina 99’’, promete ser bem diferente daquele mostrado em 98 quando dividiu o palco com a cantora Ana Salvagni e o ‘‘criador de sacis’’ Oswaldo Guimarães.
Desta vez, o violeiro paulista sobe sozinho no palco para contar ‘‘causos’’ e tocar músicas instrumentais que serviram de trilhas sonoras para a série de TV ‘‘Grande Sertão: Veredas’’ e para o programa ‘‘Globo Rural’’, ambos exibidos pela Rede Globo. O repertório inclui ainda composições de Zé Mulato e da dupla Alvarenga & Ranchinho. Além do show, ele aproveita a viagem para ministrar uma oficina sobre a viola caipira.
Paulo Freire, 44 anos, é um dos músicos que estão renovando a sonoridade do instrumento, dotando-o de um sotaque urbano e camerístico ao mesmo tempo em que resgatam suas raízes. A turma, que vem trazendo a viola do mato para a sala de concerto, inclui nomes como Roberto Corrêa, Ivan Vilela e a Orquestra de Violas de São José dos Campos.
O artista já lançou dois CDs: Rio Abaixo, com o qual recebeu o Prêmio Sharp de 1995 na categoria de música regional, e São Gonçalo (1998). Participa também da Orquestra Popular de Câmara, que lançou recentemente um ótimo álbum homônimo pelo selo Núcleo Contemporâneo.
Formado em violão clássico com passagens pelo Conservatório de Paris e Escola do grupo Zimbo Trio, o músico aprendeu a tocar viola com o mestre Manoel de Oliveira, que conheceu em Urucaia, norte de Minas Gerais, onde se embrenhou influenciado pela leitura do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
Ficou dois anos morando no povoado de Manga. ‘‘Sempre volto lᒒ - conta ele. ‘‘Sempre mando discos para os violeiros da região. E esse contato é enriquecedor, porque também procuro traduzir as vivências que obtive ali. Assim, a cada vez que os sertanejos vêem algo na TV que diz respeito à cultura caipira, eles passam a valorizá-la e a preservar seus costumes. Para a cultura brasileira, isso é muito bom.’’
Na apresentação de hoje à noite, ele vai intercalar ‘‘causos’’ com as músicas. Vai revelar, por exemplo, a receita para se fazer ‘‘o pacto com o tinhoso’’, além de narrar inúmeras histórias oriundas do folclore sertanejo tais como ‘‘O capeta encantando e carregando as moças rio abaixo’’, ‘‘O padre cismado, o violeiro sossegado e a inhuma caprichosa’’ e ‘‘Como São Gonçalo virou lenda no sertão e sua peleja com a mulher-dama’’.
Durante o show, Paulo Freire vai utilizar a viola caipira e a viola de cocho - esta, sem traste e mais rústica, é parecida com o alaúde e fabricada no pantanal mato-grossense. ‘‘Com ela vou tocar a música ‘All Blues’, do Miles Davis’’ - avisa ele. A oficina, por sua vez, será ministrada amanhã a partir de 14 horas na sala Sumatra, do Hotel Sumatra (Rua Souza Naves, 803). Está aberta a músicos e pessoas que se interessam por folclore e cultura brasileira.
‘‘Vou falar dos caminhos para se tornar um grande violeiro e dar dicas para tocar o instrumento’’ - adianta. Durante o curso, Freire vai exibir um vídeo sobre os violeiros de Urucaia. As inscrições custam R$ 5,00 e podem ser feitas pelos telefones (043) 323-7914 e 994-9933. (N.S.)

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