Entre as garras do preconceito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Ranulfo Pedreiro 
DivulgaçãoSpike Lee (em pé) em Faça a Coisa Certa: abordando o preconceito racial com excelente fotografia
DivulgaçãoCarla Camuratti em Eternamente Pagu, de Norma Bengell: na primeira metade do século mulher sofre preconceitos sociais e políticos
No Brooklyn, um discussão tem início em uma pizzaria. O dono do local, descendente de italianos, se irrita com um freguês negro. Os moradores do local entram na confusão porque não gostam dos retratos de ídolos brancos que o comerciante pendura na parede do estabelecimento. O bate-boca se direciona para assuntos como o racismo e um clima de rebelião se intala no lugar.
Este é o mote para o diretor Spike Lee levantar questões sobre conflitos raciais nos Estados Unidos em Faça a Coisa Certa, filme que o USA exibe às 21h30 e 4 da madrugada. Com excelente fotografia e boa trilha sonora, Spike Lee deixa, no decorrer da fita, as conclusões por conta do espectador. Só no diálogo final o diretor insere algumas argumentações. O cenário, todo elaborado em cores quentes, auxilia a fotografia e aumenta a tensão.
Faça a Coisa Certa é apenas uma das alternativas de um dia recheado de bons filmes que abordam, de uma forma ou outra, vários tipos de preconceitos. Entre os clássicos está Um Homem Tem Três Metros de Altura, produção de 1957 que questionou o racismo na sociedade americana. Protagonizado por Sidney Poitier, o filme narra a amizade entre homens brancos e negros, que provoca reações preconceituosas na região do porto de Nova York. A fita vai ao ar às 10 horas na TNT.
O preconceito racial também é um dos argumentos de Ganga Zumba, filme dirigido por Cacá Diegues em 1964 sobre o escravo que se rebelou contra a senzala e fundou o Quilombo dos Palmares, o maior da história do Brasil. A fita será exibida às 5 da madrugada no Multishow.
Um dos melhores filmes do dia, O Leopardo traz outro tipo de preconceito: o social e político. Dirigido com maestria por Luchino Visconti, o filme é protagonizado por Burt Lancaster, que interpreta um aristocrata que se vê afastado do poder durante as revoltas que resultaram na unificação italiana. Amargurado com a queda, o personagem de Lancaster mostra toda sua indignação contra a burguesia ascendente.
Em Morango e Chocolate, às 18h30 na HBO, o tema é a discriminação contra homossexuais e ideologias políticas. Comunista antipático ao regime e homossexual, rapaz é constantemente questionado por um jovem comunista cubano em pleno regime de Fidel Castro. Rejeitada pelo regime, a amizade entre os dois assume contornos trágicos.
Participante do movimento modernista de 22, Patrícia Galvão enfrentou preconceitos pelo seu comportamento - considerado inoportuno para uma mulher no começo do século - e por suas atividades políticas. É o que mostra Eternamente Pagu, filme dirigido por Norma Bengell e estrelado por Carla Camuratti que o Multishow leva ao ar às 22h30.
Às 3h45 o Telecine exibe Prato Feito, drama dirigido por Tony Chan sobre imigrante chinês que sofre com sua condição ilegal nos Estados Unidos. Driblando preconceitos, o rapaz faz de tudo para conseguir a cidadania americana.
Já distante desta temática, o Telecine mostra a estréia de Sonhando com a Vitória, filme sobre rapaz que se torna um dos maiores jogadores de boliche. A fita vai ao ar às 14h45. O Telecine mostra também o inédito Hércules em Busca do Reino Perdido, a partir das 21 horas.


