ENTRE APLAUSOS E POLÊMICAS
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Simone Mattos Enviada a Joinville 
Terminou no sábado o 18º Festival de Dança de Joinville com a premiação dos melhores grupos. Bailarino que executou a dança do ventre dividiu opiniões
Apenas uma companhia de Curitiba se apresentou na Noite dos Campeões, que encerrou o 18º Festival de Dança de Joinville, no sábado. Com a coreografia Antítese, as 23 integrantes do III Milênio Heartbeat conseguiram o primeiro lugar na categoria dança de rua (street dance), repetindo o feito do ano passado, quando voltaram para casa com o prêmio máximo e a melhor média de pontos de todo o festival.
O coordenador e professor do III Milênio Heartbeat, Octavio Nassu, comemora o fato, mas critica a falta de apoio da mídia curitibana. Nós vamos quietinhos para o festival, pela segunda vez voltamos com o troféu de primeiro lugar e ninguém fica sabendo que existimos, comenta. Temos destaque no Brasil todo, menos na nossa cidade, diz Nassu.
O grupo foi formado há cinco anos e é composto por alunas e ex-alunas do III Milênio. É a única companhia brasileira de Dança de Rua exclusivamente feminina.
A coreografia Antítese, intensamente aplaudida na última noite do festival, foi criada no final do ano passado. Durante os cinco minutos de apresentação, o tema é explorado através de antagonismos explícitos. Num momento em que uma bailarina dança, as outras ficam paradas. Quando todas executam a mais pura street dance, uma bailarina clássica surge no palco, quebrando a hegemonia.
Outro grande destaque na Noite dos Campeões foi o Gothan Companhia de Dança, de Belo Horizonte (MG), primeiro lugar na categoria danças folclóricas. Sem dúvidas, a apresentação mais aplaudida, comentada, admirada e odiada do festival.
Afinal de contas, não são todos os dias que o público tem a oportunidade de assistir a um número de dança do ventre executado por um homem, com perfeição de movimentos e total domínio das técnicas. Henry Moreno Alvez Neto, 25 anos, deixou a platéia e o júri de queixos caídos, indignando a comunidade libanesa de Joinville.
Frequentador do Festival há dez anos, Neto estranhou a reação da população local. Foi a primeira vez que o meu trabalho foi criticado desta forma, mas achei ótimo, diz ele. Em Belo Horizonte, Neto trabalha diretamente com os libaneses e diz que sempre foi muito respeitado e teve seu trabalho bem aceito.
Para quem não gostou, ele avisa que repetirá a dose no festival do ano que vem e que já começou a treinar dois bailarinos para o acompanharem na dança do ventre que será exibida novamente em Joinville. Na coreografia Tabla, apresentada neste ano, seis dançarinas o acompanham no palco, mas as atenções voltam-se exclusivamente para ele.
Neto tem formação em balé clássico e há oito anos treina dança do ventre. No ano passado, obteve o primeiro lugar na categoria solo livre do festival, apresentando o mesmo estilo. Em sua avaliação, a polêmica foi maior neste ano porque a sua companhia competiu diretamente com outro grupo de dança do ventre, formado só por mulheres.
As 19 companhias premiadas com os primeiros lugares de cada categoria na 18ª edição do festival de Dança de Joinville, receberam apenas troféus e aplausos. Os prêmios em dinheiro foram distribuídos na última noite para os merecedores das menções honrosas. O Balé de Teresina (PI), por exemplo, foi escolhido como melhor grupo e faturou R$ 10 mil.
As medalhas de ouro de melhor bailarino e bailarina foram para Waldir Alexandre Silva e Ana Caroline Pagano Lima, ambos da Escola de Ballet Sesiminas (MG), que receberam prêmios de R$ 3 mil cada.
O mesmo valor foi entregue para Ricardo Scheir, responsável pelo trabalho contemporâneo Quando Seus Dedos Tocam a Minha Pele, da Cia Pavilhão D (SP), considerada a melhor coreografia do festival.
O prêmio revelação foi dado à coreógrafa Andréa Dias, do Grupo VD Mascote (RJ). As menções honrosas foram para os bailarinos Nina Isabel Courcier, do Talhe Escola de Ballet (RJ), e Rene Salazar, da Especial Academia de Ballet (SP).
A jornalista Simone Mattos viajou a Joinville a convite da organização do 18º Festival de Dança


