Entre alegrias e tristezas
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sexta-feira, 07 de julho de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Se o retorno ao teatro traz um alento ao coração, sobretudo dos músicos, a situação da Osuel não é de se comemorar. Com apenas 40 músicos no total já chegou a ter 65 -, a apresentação de abertura não dará dimensão do déficit de profissionais porque terá a participação de convidados e alunos bolsistas do festival. Mas quem acompanha a orquestra nos últimos anos sabe que o momento é difícil e pode piorar.
Para os próximos anos são estimadas dezenas de aposentadorias já aptas, o que diminuirá ainda mais o quadro. Nos últimos dez anos houve 12 aposentadorias e/ou falecimentos e apenas três novas contratações. "Neste ritmo, a estimativa é de que em cinco a sete anos a orquestra estará totalmente desfalcada em seus naipes e seu funcionamento inviável", diz Veronica Vogler, encarregada da Osuel.
Ainda segundo ela, há músicos aprovados em concurso público e que aguardam a nomeação há quase quatro anos de dois concursos realizados: um de 2013 (com dois músicos aprovados para a orquestra) e outro, mais recente, de 2015, com cinco músicos. Das 15 nomeações realizadas pelo Governo do Estado na última semana, quatro são para músicos da orquestra. Esta foi a contrapartida em acordo com a reitora da UEL, Berenice Jordão, para que o teatro fosse reinaugurado. A últimas três nomeações haviam sido feitas em 2001 e 2014, de um concurso realizado em 2010.
Apesar dos quatro novos integrantes, no entanto, estará longe de sua formação ideal, algo em torno de 70 músicos. "A falta de músicos gera um total desequilíbrio. A composição do 'organismo orquestra' é baseada em proporções sonoras. O número de instrumentos de cordas, por exemplo, precisa ser quatro vezes maior que o número de metais para que exista um equilíbrio da massa sonora. Além disso, o repertório sinfônico reflete a própria evolução dos instrumentos e sua inserção na orquestra ao longo da história", afirma Vogler.
Por isso, há tempos a orquestra não executa várias obras devido à falta de músicos porque são necessários determinados instrumentos. "Atualmente estamos sem nenhum clarinete na orquestra. A atual inexistência deste naipe na Osuel é como uma 'ponte quebrada' e gera um abismo na escolha de repertório. Todas as opções de composições para orquestra sinfônica sem clarinete foram esgotadas no último ano de nossa temporada de concertos", acrescenta.
Para se ter uma ideia, somente no período barroco é que não há obras escritas para clarinete. Porém, este instrumento aparece apenas em composições do final do período clássico, quando o mesmo foi aprimorado, "e é personagem indispensável nos períodos seguintes - romantismo, modernismo, impressionismo incluindo a música brasileira." A boa notícia é que nas recentes nomeações estão um violino, um violoncelo e dois clarinetes. (M.T.)


