Antes de aceitar o convite para interpretar a deslumbrada Eduarda de "Chiquititas", Virgínia Nowicki sabia que precisava de um bom trabalho para voltar à tevê. Atriz por formação e com uma carreira consolidada na tevê principalmente pelos trabalhos como apresentadora e repórter, ela estava afastada do veículo há seis anos, depois de deixar o comando do "Arte Brasil", exibido pela Rede TV!. E tinha estipulado que não atuaria em um projeto que não fizesse muita diferença em seu currículo. Preferia dedicar-se à família nesse período. "Estou desiludida com a tevê aberta. A busca por audiência nivelou tudo muito lá embaixo. Esqueceram até das crianças. Por isso, me empolguei com a possibilidade de participar de uma novela feita para o público infantil", analisa Virgínia, que já foi repórter do "Domingão do Faustão" e do "Você Decide", na Globo, e apresentou o "Zapping", da Record, no final da década de 1990.
A volta às novelas – ela tinha atuado, na Globo, em "Decadência", minissérie exibida em 1995, e "Vira-Lata", no ano seguinte – coincidiu com uma fase em que Virgínia queria mesmo se dedicar à atuação. Tanto que havia retomado, alguns meses antes da proposta do SBT, aulas particulares com a "coach" Cristina Mutarelli, que vive a esfomeada Priscila em "Amor à Vida".
Mas a ideia era um retorno feito através do teatro. "Foi surpreendente essa possibilidade de fazer novela. Minha formação é de atriz, mas a tevê sempre me absorveu mesmo como jornalista. Dessa vez, foi diferente", diz, preparada para interpretar a personagem por um bom tempo.
No SBT, não houve um comunicado oficial, mas já se fala nos corredores em esticar "Chiquititas". "Cá entre nós, a audiência é ótima e é um produto comercialmente muito interessante", avalia. A novela tem conquistado números sempre acima de dois dígitos, ficando entre 12 e 15 pontos de média no Ibope.

Nome: Virgínia Nowicki Nader.
Nascimento: Em 4 de fevereiro de 1967, em São Paulo.
Primeiro trabalho na tevê: "Fiz muita publicidade, mas como atriz foi em 'Alô Doçura', em 1990, no SBT".
Atuação inesquecível: "Zapping", na Record, em 1999, como apresentadora.
Interpretação memorável: Wagner Moura como o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite".
Momento marcante na carreira: "As transmissões do Carnaval, na Globo, sempre me emocionaram muito. É um trabalho do qual me orgulho bastante".
A que assiste: Novelas e GNT. "As tramas das 18 horas da Globo têm chamado muito minha atenção. 'Joia Rara' é uma preciosidade".
A que nunca assiste: "A maioria das coisas que passam na tevê aberta. Tudo está muito apelativo".
O que falta na televisão: "Responsabilidade e comprometimento. A vontade de dar ibope é maior que qualquer coisa".
O que sobra na televisão: "Apelação, principalmente nos assuntos ligados à violência".
Ator: Robert De Niro, Dustin Hoffman e Al Pacino.
Atriz: Gloria Pires, Marieta Severo e Andréa Beltrão.
Com quem gostaria de trabalhar: Fernando Meirelles.
Se não fosse atriz e apresentadora, o que seria: "Sou artista plástica e fiz balé e sapateado. Cheguei a cursar Biologia, mas minha alma era de artista".
Humorista: Chico Anysio.
Novela preferida: "Vale Tudo", exibida pela Globo em 1988.
Cena inesquecível na tevê: A queda do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.
Canção inesquecível de trilha sonora: "Dancing’ Days", de As Frenéticas.
Vilão marcante: Carminha, vivida por Adriana Esteves em "Avenida Brasil", exibida em 2012 pela Globo.
Trabalho mais difícil que já fez: "Alô Doçura", no SBT, em 1990. "Não sabia o que era tevê e muito menos ser protagonista. Não tinha tempo para estudar e interpretava uma personagem diferente a cada semana, sem estúdio. Só fazíamos locações".
Trabalho que mais teve retorno de público: Como repórter do "Você Decide", na Globo, na década de 1990.
Que novela gostaria que fosse reprisada: "Tieta", exibida pela Globo em 1989.
Que papel gostaria de representar: "Queria fazer mais comédia. Acho que tenho o 'timing'".
Par romântico inesquecível: Petrucchio e Catarina, vividos por Eduardo Moscovis e Adriana Esteves em "O Cravo e A Rosa", em reprise atualmente na Globo.
Com quem gostaria de fazer par romântico: "Desde que seja um bom ator, não tenho preferência".
Filme: "As Pontes de Madison", lançado em 1995 e dirigido por Clint Eastwood.
Livro de cabeceira: "O que eu gosto de ler na cama são as poesias do Fernando Pessoa".
Autor: Nelson Rodrigues.
Diretor: Fernando Meirelles.

Mania: Tomar uma ducha gelada antes de sair de casa para trabalhar.
Medo: "Perder as pessoas que amo".
Projeto: "Tenho um projeto já formatado de entrevistas descontraídas para a tevê. E procuro um texto para voltar ao teatro".

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