São Paulo ganha cada vez mais espaço entre autores da tevê na hora em que eles ambientam suas histórias. Depois de estrear a trama jovem de "Sangue Bom" valorizando os contrastes paulistanos, a Globo começa a exibir, nesta segunda, "Amor à Vida", que substitui "Salve Jorge" no horário nobre.
No lugar do colorido e estridente Morro do Alemão, tão explorado por Gloria Perez na antecessora, Walcyr Carrasco e seus diretores se propõem a apresentar a "terra da garoa" de um jeito que, acreditam, a maioria dos telespectadores de fora não conhece. "Vamos mostrar uma São Paulo mais pop. Eu até acho que esse vai ser um dos grandes charmes de 'Amor à Vida'", avalia Wolf Maya, diretor de núcleo do projeto.
E Walcyr garante que a escolha não tem qualquer relação com a medição de audiência, que tem mais força comercial no maior centro urbano do país. "Quem se preocupa com esses números é a imprensa. Eu sempre ambientei minhas histórias em São Paulo. É o lugar que escolhi para viver e que eu mais amo e conheço", defende o autor.
Como de praxe na maior parte das novelas de horário nobre da Globo, a trama começa com uma viagem internacional. Cerca de 40 pessoas embarcaram para o Peru, onde atores como Paolla Oliveira, Mateus Solano, Antônio Fagundes, Susana Vieira e Juliano Cazarré gravaram por 16 dias em regiões como Cusco, Machu Picchu, Arequipa, Colca Canyon, Ollantaytambo e Sacsayhuaman. "É um lugar incrível, que nos rendeu imagens belíssimas e histórias únicas. E como temos um elenco conhecido na América Latina, várias vezes o Fagundes, a Susana e a Paolla eram parados por fãs", conta o diretor-geral Mauro Mendonça Filho, que contou com mais de 700 quilos de equipamentos transportados, 26 malas de figurino e profissionais de uma produtora local durante o trabalho nos cenários peruanos.
Pelo fato de a trama ser ambientada em São Paulo, a equipe também passou algumas semanas rodando externas na capital paulista. Pontos como o Vale do Anhangabaú, a Avenida Paulista, o Memorial da América Latina, o Parque Villa Lobos, os bairros do Bixiga e da Liberdade e ruas do Centro estão entre os que mais aparecerão no vídeo. "São Paulo é uma cidade internacional, com parques incríveis. É esse lado que vamos valorizar", insiste Walcyr.
Quando não estiverem em São Paulo, os diretores e elenco contarão com duas cidades cenográficas dentro do próprio Projac – centro de produção de teledramaturgia da Globo, na Zona Oeste do Rio – para as cenas. Uma delas abriga única e exclusivamente as dependências principais do hospital San Magno, propriedade de César, personagem de Antônio Fagundes, pai da mocinha Paloma, de Paolla Oliveira, e do vilão Félix, papel de Mateus Solano.
A fachada tem as proporções reais de uma casa de saúde e a construção conta com entrada de emergência, pátio de ambulâncias, recepção, loja de conveniências, livraria, floricultura e um bar para os médicos. Já a outra reproduz uma fictícia região paulistana onde ficam as fachadas das casas de alguns personagens, como o próprio mocinho Bruno. A falta de áreas reais reproduzidas tem uma razão. "Temos personagens que circulam por diversos lugares. E 80% das externas acontecem em São Paulo mesmo", justifica Wolf, que deseja ter, pelo menos uma vez por mês, uma equipe a realizar novas sequências nas ruas paulistanas.
"Amor à Vida" marca a estreia de Walcyr na faixa das 21 horas. Uma vontade antiga da Globo, mas que só agora ele se sentiu à vontade para realizar. "Eu trabalho por intuição, focado na emoção. Até então, não tinha uma sinopse para esse horário", explica o autor, que não pretende se manter na faixa após o término. Independentemente do sucesso alcançado. "Estou com saudades de escrever para as 18 horas. Meu próximo projeto é voltado para esse horário", adianta.

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