São Paulo - Nanda Costa, 26 anos, encarou uma grande responsabilidade ao aceitar viver a protagonista de "Salve Jorge'', trama global das nove. Desde a estreia, vem recebendo severas críticas a seu trabalho como a intérprete de Morena. Chegou a receber apelidos, como Nada Consta, por ser um rosto novo no time de estrelas da emissora. Como se não bastasse, a audiência da trama não vai bem. Em seus 66 primeiro capítulos, registrou média de 29,6 pontos, segundo o Ibope (cada ponto equivale a 60 mil espectadores), média mais baixa do que as de suas antecessoras.
Aos poucos, a jovem atriz dribla os mais criteriosos e se esforça para ganhar a simpatia do público. "Leio pouco sobre as críticas que fazem, senão acabo me atrapalhando. Entendo opiniões adversas, acho isso normal. Quero agradar a maioria, mas não pretendo ser unanimidade'', rebate.
Enquanto a mocinha do Complexo do Alemão crava seu espaço no horário nobre, Nanda já colhe os frutos de seu trabalho. Recentemente, fechou contrato - estimado em R$ 1 milhão - para ser a garota-propaganda de uma marca de cosméticos e foi a responsável pela contagem regressiva no Réveillon da Paulista, em São Paulo.
Ainda sim, seu foco continua em Morena, que, nos próximos capítulos, deve trocar novas juras de amor com Théo (Rodrigo Lombardi). "Eles vivem um amor avassalador, mas ela briga entre a razão e a emoção. Ela não quer depender dele, e isso a faz parecer mais fria'', defende Nanda.
A atriz, que nasceu em Paraty (RJ), atendeu a um telefonema da autora Gloria Perez a convidando para assumir o papel principal da novela e, na hora, achou que se tratava de um trote. "Desde então, sei que agarrei uma grande responsabilidade e estou dando o meu melhor. Não tenho tempo para mais nada'', garante a atriz.
Na briga com o relógio, Nanda não consegue nem mesmo tempo para malhar. Antes de encarar o ritmo intenso de gravações da trama das nove, ela se entregou a um treino específico, que incluía corrida, abdominais e aulas na cama elástica e com halteres, entre outros. "A Morena precisava não ter um corpo de quem vive na academia e, sim, o de uma menina que trabalha muito e que tem uma boa genética'', comenta.
Nanda conta, no entanto, que na vida real encara o dia a dia com menos intensidade do que sua personagem. Mas assume que tem em comum com ela a persistência em busca do que deseja da vida.
E talvez seja o fato de Morena não abaixar a cabeça, ser forte e decidida que faz com que o público se identifique, torça ou se emocione com suas idas e vindas. "Ela vive uma realidade nua e crua, e essa é a verdade dela. Ela é uma moradora do complexo do Alemão, foi mãe aos 14 anos e tenta ter uma vida melhor. Ela quer colocar o que comer dentro de casa'', define a jovem atriz.

Grandes parcerias
Para Nanda, o fato de contracenar com atrizes já conhecidas do grande público, como Vera Fischer, Dira Paes e Totia Meirelles, é uma verdadeira escola. Mas o drama comum entre as personagens que são traficadas na trama a aproximou de Carolina Dieckmann, que interpreta a sofredora Jéssica, parceira de Morena nas inúmeras tentativas de fugir da quadrilha.
No entanto, esta não é a primeira vez que elas se encontram e são cúmplices em cena. Na estreia de Nanda em novelas, na trama "Cobras & Lagartos'' (Globo, 2006), sua personagem, Madá, era a comparsa de alguns dos planos maquiavélicos elaborados pela vilã Leona, interpretada por Carolina. "A Carol é uma pessoa incrível, e nos damos muito bem. Temos uma grande troca em cena, e é um prazer poder voltar a trabalhar com alguém assim.''
Quando fala de sua carreira, Nanda destaca o carinho especial que sente por Jéssica, personagem do filme "Sonhos Roubados'' (2010), dirigido por Sandra Werneck. A moça, que era moradora de uma favela carioca, rendeu-se com mais duas amigas à prostituição a fim de satisfazer seus desejos de uma vida melhor. "Foi um trabalho que me ensinou muito e me fez crescer como atriz'', define.
A partir de terça-feira, Nanda também poderá ser vista na microssérie "Gonzaga - De Pai pra Filho'' (Globo), em que interpreta Odaléia Guedes, mãe de Gonzaguinha (1945-1991) e grande amor de Luiz Gonzaga (1912-1989). "Ela era muito sonhadora, mas morreu cedo demais e não conseguiu realizar o sonho de ser uma grande artista'', comenta.
A atriz, que já morou em São Paulo na época em que cursava teatro, conta que adora as muitas opções culturais da cidade, mas que, atualmente, tem se dedicado a uma só paixão. "Estou completamente apaixonada pela Morena, só penso nela'', brinca.

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