O mercado livreiro se expande e chega ao conceito das megastores, mas alguns proprietários insistem: o livro é a estrela das bancas e não deve concorrer com outros produtos
Os livreiros de Curitiba estão divididos entre acompanhar as tendências do mercado ou manter o padrão das livrarias tradicionais. A Livrarias Curitiba é a pioneira na adoção do conceito de megastore na cidade. Em dezembro do ano passado, a rede de livrarias inaugurou sua primeira megastore no Shopping Curitiba e, no próximo mês de outubro, começa a reformar a loja da Rua XV de Novembro, no centro da cidade.
A intenção é transformar o espaço antes destinado apenas à exposição de livros para abrigar outros produtos e serviços – como café, leitura, cyberespaço e venda de CD’s. ‘‘O novo conceito é uma cobrança dos clientes e aumentará o tempo de permanência deles no estabelecimento’’, afirma Leoni Pedri, gerente de varejo das Livrarias Curitiba.
Aramis Chain, livreiro há 38 anos, discorda das mudanças. Ele se define como um convicto vendedor tradicional de livros. ‘‘Sou totalmente contra essas livrarias-boutiques. Lugar onde se vende livro não pode ter café, sanduíche ou CD’’, opina. Para ele, as livrarias teriam que continuar priorizando seu principal produto.
Chain está terminando de construir um novo imóvel, que serviria para ampliar sua livraria, mas se diz desestimulado. ‘‘Ainda não sei se vou abrir a loja ou se acabarei alugando o prédio para outros fins porque, infelizmente, o termo livreiro está se tornando arcaico’’, afirma. Chain está convencido de que o modo tradicional de vender livros terá um espaço cada vez menor no mercado. ‘‘Gostaria de continuar ofertando melhores condições de visibilidade para o livro, mas não me sinto muito estimulado.’’
Para o gerente de varejo das Livrarias Curitiba, apenas as livrarias segmentadas poderão se manter no estilo tradicional de venda. ‘‘Se a loja oferta livros esotéricos ou jurídicos e tem um bom relacionamento com seus clientes, é possível manter as estruturas atuais, mas quando o público é heterogêneo, as lojas locais precisarão acompanhar as inovações trazidas pelas grandes redes’’, afirma.
Serão investidos R$ 350 mil na transformação da Livraria Curitiba da Rua XV de Novembro em megastore. Dos atuais 350 metros quadrados, ela passará a ter 900 metros quadrados. Com mais espaço, também oferecerá mais títulos. ‘‘Vamos aumentar de 60 mil para 100 mil exemplares.’’ A direção da livraria prevê que, nos próximos dois anos, todas as 12 lojas da rede no Paraná e em Santa Catarina sejam transformadas em megastores.
A Livrarias Curitiba foi a primeira a abrir uma megastore na capital paranaense, no Shopping Curitiba. Depois, a rede Saraiva abriu uma loja, no Shopping Crystal, seguindo esse mesmo conceito.

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