Entre a loucura e a sabedoria
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Muita gente que era considerada louca no passado, de Copérnico a Van Gogh, passou a ser chamada de gênio tempos depois. A discussão acerca de insanidade e criação é antiga e sempre leva a momentos intrigantes, curiosos e também divertidos. Essa reflexão está presente na montagem ''Já viu como um pinguim anda? Ou Cuidado, um abismo nublado pode estar tramando algo inimaginável'', do Círculo de Encenação e Pesquisa Pé no Palco, em cartaz de hoje até o final de agosto, no Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba.
O espetáculo se passa em uma Curitiba imaginária, batizada de SinGélida, um lugar cinza em que o amor é considerado uma doença e seus enfermos, bufões, marginalizados da sociedade, são os contadores dessa história. A narrativa nasceu a partir de textos de Luiz Felipe Leprevost.
''Em 2008, já tinha lido algumas coisas do Luiz e separei coisas que falassem de Curitiba e de seus moradores. Então fizemos essa adaptação com o uso dos bufões, que se parecem com os ''clowns'', só que são mais trágicos, têm um poder de denúncia. Ao mesmo tempo que assustam, também cativam'', explica a atriz e diretora adjunta do espetáculo, Vanessa Corina. A companhia já havia trabalhado em pesquisa com bufões na peça ''Rumo à Terra'', baseado na obra ''Folhas da Relva'', de Walt Whitman.
A tragicomédia se passa em uma Curitiba imaginária, o que dá à trama contornos universais. ''Existem várias referências à nossa cidade, os curitibanos vão se ver em vários momentos, os lugares. Mas isso acontece sem ser bairrista, a peça é universal, com várias metáforas e críticas universais'', comenta a diretora Fátima Ortiz.
Um dos detalhes que chama atenção na peça é a presença em vídeo e no figurino de Efigênia Rolim, a ''Rainha do Papel'', que costuma transformar o que para muitos é lixo em arte. ''Ela é um bufão também, é como se fosse o sexto bufão na peça. É uma figura muito sábia, que deu toda uma nova dimensão ao espetáculo'', elogia Vanessa.
A peça, que brinca entre a tragédia e a comédia, exalta especialmente a liberdade, o amor e a dor. ''A força da peça é colocada na liberdade do criativo. O espaço da loucura, do marginal e do transgressor tem o papel de acordar para o imaginário, para te dar alternativas, até de uma realidade impossível'', reflete Fátima.
''Na peça, os infectados pelo amor são rebeldes e vistos pela saúde pública como ameaças'', diz Vanessa. ''Então o bufão vem como essa figura que mostra um pouco essa relação entre a loucura e a sabedoria'', completa.
Serviço
- 'Já viu como um pinguim anda? Ou Cuidado, um abismo nublado pode estar tramando algo inimaginável'
Quando - até 29 de agosto, de quinta-feira a domingo, às 20h
Onde - Teatro Novelas Curitibanas (R. Carlos Cavalcanti, 1.222), em Curitiba
Quanto - R$ 10 e R$ 5 (meia)
Informações - (41) 3029-6860.


