Entre a diversão e o trabalho
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Maria Hirszman Agência Estado 
São Paulo Feira de livros ou lugar de negócios? Incapaz de responder a essa questão de forma definitiva, a Bienal do Livro chega a sua 17ª edição equilibrando-se entre essas duas tendências que pautam sua existência desde o início. Para o público em geral, o evento, apesar de cansativo, é uma oportunidade de reciclagem e uma chance de entrar em contato com o universo mágico dos livros. Mas para livreiros, editores, distribuidores e outros profissionais da área, a Bienal não é apenas isso. É um local repleto de potenciais negócios, uma vitrine imperdível, como comprova a presença de 830 expositores este ano. Até as gravadoras perceberam o efeito benéfico de um evento desses.
A venda direta ao público não é um objetivo em si, mas uma consequência boa, é claro de estar presente nesse pólo que congrega todo o setor num mesmo local durante 11 dias. A maioria dos editores considera que, se as vendas cobrirem o investimento de cerca de R$ 30 mil no total, para um estande médio como o da Editora Atlas realizado para participar da Bienal, já está muito bom.
Aberta anteontem manhã, a mostra já atraiu milhares de pessoas em dois dias. E os expositores estão animados, principalmente graças à mudança de endereço do evento, que deixa o confuso Center Norte (onde se dividia em três pavilhões diferentes) por um espaço único e mais amplo de 25 mil metros quadrados. Excetuando-se o tapete de um verde gritante, que contribui para aumentar a fadiga visual, o espaço é agradável, receptivo e permite que o espectador se oriente um pouco melhor.
Algo vital, já que percorrer os 25 mil metros quadrados pode ser uma tarefa por demais cansativa. Mesmo os profissionais da área se queixam do excesso de informação depois de algum tempo olhando as prateleiras e vitrines. A visibilidade está boa e o evento está mais confortável, afirma o livreiro Pedro Herz, proprietário da Livraria Cultura. Mesmo afirmando que eventos desse tipo não têm uma importância direta sobre seu trabalho na Cultura, Herz celebra o fato de ainda conseguir encontrar novidades em meio ao labirinto de estandes e, para comprovar sua tese, mostra dois livros de um pequeno selo, Degustar, que acaba de descobrir: Paris Sexy e Manual dos Anfitriões, um guia de boas maneiras escrito no século 19 por Grimod de la ReyniSre.


