Entre a alegria e a angústia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A Orquestra Sinfônica da UEL comemora 25 anos nesta temporada. A data de aniversário será festejada no próximo sábado, quando ocorre um concerto gratuito no Teatro Ouro Verde, sob regência da maestrina convidada Elena Herrera.
Na apresentação, que começa às 20h30, os músicos executarão peças dos compositores Heitor Villa-Lobos (''Sinfonieta nº 1''), Radamés Gnatalli (''Concerto para Viola e Orquestra de Cordas'') e Félix Mendelssohn (''Sinfonia n 5, Op. 107 em Ré Maior - Reforma'').
A interpretação da obra de Gnatalli contará com presença do solista Jairo Chaves, violista que já esteve tocando durante 1 ano na Filarmônica de Berlin, na Alemanha. Já a inclusão de Mendelssohn no repertório faz uma modesta homenagem ao compositor que está sendo lembrado no mundo inteiro no ano de celebração de 200 anos de seu nascimento.
O concerto é ''motivo de alegria e ao mesmo tempo de angústia'', nas palavras de Janete El Haouli, diretora da Casa de Cultura, cuja Divisão de Música é responsável pela manutenção da Orquestra. Uma das razões do sentimento ambíguo é o encerramento este mês do período de experiência da maestrina cubana, que assumiu a batuta da OSUEL em setembro do ano passado.
''Ela trouxe uma contribuição significativa ao mostrar todo o potencial da orquestra. Sua metodologia se assemelha à do educador Paulo Freire, para quem não existe aluno ruim. Para ela, não existe músico ruim: o que se precisa é de um regente para obter resultados. Ao longo de suas atividades, todos a elogiaram: dos músicos à comunidade, não houve uma única crítica a seu trabalho. Agora estamos em processo de espera de sua efetivação'', diz Janete.
Em abril, a maestrina retornará para reger um concerto durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, a convite da Sociedade Rural do Paraná. Será um concerto dedicado a Gershwin, tendo o pianista Marco Antônio de Almeida como solista. É seu único concerto garantido após a apresentação comemorativa do próximo sábado.
Além da indefinição quanto à contratação da regente, há outro problema a ser enfrentado pela corporação: o número reduzido de músicos, o que já levou muita gente a brincar dizendo que a Sinfônica estaria se transformando numa Orquestra de Câmara. A Osuel conta com 46 músicos - incluindo a pianista Irina Ratcheva - quando uma formação completa exigiria 70 componentes.
Como tapa-buracos, serão convidados 12 músicos, que receberão cachês para tocar no concerto de sábado. ''A UEL é uma das poucas universidades públicas do País que contam com uma orquestra sinfônica profissional'', assinala a diretora da Casa de Cultura. ''É uma luta constante para mantê-la em atividade. Enquanto o Governo do Estado não autorizar a realização de um concurso público para contratação de novos músicos, a situação permanece complexa e delicada. Ao chegar aos 25 anos, é hora de fazer uma reflexão profunda sobre sua continuidade ou não''.
SERVIÇO
- Osuel 25 anos
Quando - Dia 14 de março (sábado), às 20h30
Local - Teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 65), em Londrina


