Para que estudar arte na escola? Essa disciplina realmente faz diferença na formação do aluno? E como abordar o assunto com as crianças da educação infantil? E por que muitas vezes essa disciplina fica relegada ao segundo plano? Esses são alguns dos questionamentos que fazem parte da rotina de trabalho de muitos professores que se dedicam ao ensino de arte nas escolas públicas e particulares. Disciplina obrigatória e no Paraná, desde 2002, com carga horária de duas aulas semanais, inclusive para o Ensino Médio, ela tem se tornado um desafio para muitos educadores, que na sua maioria não têm formação específica nessa área.
Buscando ampliar o repertório de conhecimentos desses professores de sala de aula e apontar caminhos mais criativos na abordagem do ensino de arte, desde 2003 a Universidade Estadual de Londrina integra o projeto Arte na Escola, da Fundação Ioschpe, que tem como objetivo qualificar o trabalho dos professores de arte - do nível infantil ao médio - para a formação de jovens mais perceptivos, criativos e críticos da sua realidade.
Em atividade desde 1989, atualmente estão em atuação 53 pólos presentes em 47 cidades de 24 estados brasileiros e do Distrito Federal. No Paraná, há quatro pólos: Londrina, Guarapuava e dois em Curitiba. O pólo de Londrina também mantém sete grupos de estudo nas seguintes cidades: Cascavel, Cambé, Ibiporã, Rolândia, Arapongas, Grandes Rios e Cornélio Procópio. E a cada semestre há cursos de formação continuada, além de outras atividades paralelas.
O ideal é melhorar o ensino de arte no país partindo da premissa que a arte, enquanto objeto do saber, desenvolve no aluno habilidade perceptiva, capacidade reflexiva e formação da consciência crítica, não se limitando à auto-expressão e à criatividade.
''Também oferecemos material de qualidade para subsidiar o professor. Atualmente a nossa DVDteca conta com 130 títulos sobre arte contemporânea, que vêm com caderno de apoio com seção de sugestões, que articula com outras disciplinas, além de kits pedagógicos'', acrescentou a coordenadora do pólo de Londrina, Carla Juliana Galvão Warken. Vale lembrar que professores que não fazem parte do projeto também podem utilizar a DVDteca, que fica no Departamento de Arte Visual da UEL.
A coordenadora lembra que desde a década de 80 o ensino de arte no Brasil vem ganhando força, propondo-se a ir além das aulas de técnicas e desenho livre. ''A arte fala de coisas humanas e precisamos estimular esse diálogo. Não é preciso muita teoria para se ter uma experiência estética, mas, por outro lado, o conhecimento nos ajuda a compreender melhor a obra. Precisamos associar o sentimento e o conhecimento'', ressaltou.
N opinião dela, o ensino de arte acabou durante muito tempo ficando em segundo plano por ter se perdido ''no tecnicismo e no espontaneísmo''. ''O que também observamos é que muitos professores demonstram apreensão em trabalhar com arte contemporânea, como se tivessem medo de não saber como fazer a 'leitura' de algo que não conheciam. E aqui no projeto é a oportunidade deles vivenciarem essas experiências e conseguirem dar aulas menos informativas e mais reflexivas'', destacou.
Mais informações no site www.artenaescola.org.br. Para receber informações sobre os cursos de formação continuada e grupos de estudo desenvolvidos pelo pólo de Londrina, entre em contato pelo e-mail [email protected]. Informações sobre a carteirinha para ter acesso à DVDteca do Arte na Escola pelo tel. (43) 3371-4869.

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