ENSINO DA ARTE - Vida em movimento
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
O ensino da Arte na formação e desenvolvimento das crianças consta no currículo obrigatório da Educação Básica, previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Apesar da existência da legislação educacional, ainda há muitas instituições que não conseguiram implantar a disciplina de maneira efetiva, sobretudo, por falta de profissionais habilitados na área (o que também ocorre, com frequência, com a disciplina de Música). Porém, há escolas que tentam driblar os obstáculos, de forma que os alunos não sofram prejuízos, lançando mão de projetos e oficinas criativas para aprimorar o conhecimento das crianças nessas áreas.
Pensando em proporcionar uma vivência significativa com seus alunos, a equipe pedagógica da Escola Professor Dr. Carlos da Costa Branco (zona Sul) organizou uma visita ao ateliê de uma artista plástica de Londrina, onde, além de contato com as obras produzidas por ela, tiveram uma aula prática, uma espécie de workshop.
"Para cumprir nosso papel no aprendizado dos alunos, agendamos essa visita com as crianças do quinto ano. A artista trabalha com diversas técnicas em suas obras e o contato físico e visual, certamente, amplia a percepção, a linguagem e leitura de mundo deles. Terem contato direto com a realidade, além de tornar a arte mais acessível, também desperta neles a confiança de que é possível fazer", explica a coordenadora pedagógica Bruna Ester Gomes Yamashita.
Antes da visita, contudo, foram trabalhados em sala de aula biografias de artistas, tipos de ilustrações, gravuras, pinturas e colagens. "São atividades interdisciplinares que ocorrem ao mesmo tempo com uma mesma temática. Em Ciências, por exemplo, estão vendo os elementos da natureza, como solo, água, ar, fogo. A professora aproveita esse momento e explica sobre a reutilização e reaproveitamento dos materiais. Para tanto, vinculam as informações para produções de texto, trabalhos de arte com alguns materiais e técnicas abordadas, sempre com foco no tema de interesse. A criatividade é incentivada a todo momento em várias frentes."
A artista plástica em questão é Yoshiya Nakagawara Ferreira, muito conhecida por utilizar variados tipos de materiais de reaproveitamento e demolição, além de técnicas diversas. Logo que chegam ao ateliê da artista, as crianças são convidadas por ela a andarem pelos cômodos em que estão espalhadas as telas, esculturas e obras em geral. "Vocês podem tocar como se estivessem tocando uma criança pequena; podem até bater de leve", diz a eles. Esse contato físico, segundo ela, é importante para que sejam estimulados os sentidos. "Eles precisam usar todo o corpo para terem a própria sensação dos materiais; sentirem se é frio, áspero, liso. A experiência precisa ser completa: visual, corporal e emocional. Apenas uma visita solta não faz sentido", explica a artista.
Após os olhares e toque é hora de um bate-papo sobre arte e o que ela representa na vida de cada um. "Arte não se resume às Artes Plásticas. Arte é pintura, música, dança, teatro, gastronomia, fotografia; Arte é vida em movimento", diz Yoshiya, frisando que todos ali, de uma maneira ou de outra, são artistas.
Essa conversa inicial é necessária para que ela inicie o primeiro trabalho a ser desenvolvido. Cada um escolhe duas cores de que gosta e uma que não gosta para realizar a atividade. "Por que precisam escolher uma que não gostam? Porque na vida terão de lidar com situações de alegrias, mas, também, de frustrações, decepções e generosidade."
Com adesivos coloridos, os alunos criaram desenhos, de acordo com ela, com várias influências, como minimalismo, abstrato informal, concretismo, futurismo e estética orgânica e geométrica. "Uma simples atividade revela muito do potencial de cada uma. Mas, principalmente, mostra o que têm no coração."
Esse primeiro contato leva a uma segunda parte, que é colocar a mão na massa, ou melhor, na tela. De forma coletiva, tiveram que escolher um tema em conjunto para realizarem, também em conjunto, uma pintura. "O mundo é coletivo; ninguém faz nada sozinho. No grupo, precisam argumentar e ceder, falar e ouvir. Exercitar esses aspectos é despertar a cidadania", acrescenta Yoshiya, mostrando as diferentes visões que ficaram evidenciadas, como uma das temáticas envolvidas, no caso, a política.
Para essa atividade, a artista mostrou que os materiais podem ir muito além do tradicional pincel e tinta. "Convido-os a experimentarem coisas diferentes, como pintar com pedaço de bucha, com pedaços de pano, com a mão. Assim, a criança descobre sentimentos desconhecidos quando diante de algo novo. Com isso, também despertamos um olhar para além da padronização de consumo e repetição de comportamento."
Para fechar a vivência, todas as informações passadas foram aproveitadas numa obra individual feita em madeira descartada. "Não espero que saiam daqui pintores, mas artistas da vida. Sou uma pessoa privilegiada, pois a vida me deu muito. Sinto que tenho que doar um pouco do que recebi", finaliza a artista plástica.


