ENSINO - Leitura tipo exportação
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terça-feira, 29 de março de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Repletos de memórias poéticas que trazem Londrina como pano de fundo, os livros da escritora Lygia Schrank Araújo estão conquistando novos horizontes e chamando a atenção não apenas de escolas londrinenses, onde frequentemente é requisitada para proferir palestras didáticas. Recentemente, dois dos seus livros foram incorporados como leitura obrigatória para alunos de 1 à 4 série do Colégio Ernesto Riscali, escola particular de Olympia, cidade do interior de São Paulo com cerca de 50 mil habitantes. Lygia também já foi convidada para dar palestra em uma escola de Mogi-Mirim, próxima à região, e em Barretos uma outra instituição de ensino também já sinalizou interesse em incluir os seus livros como material didático curricular. Em Olympia estão sendo utilizados os livros''Moinho do Tempo'' (2003), de poesia, e ''Minha Terra em Prosa e Verso'' (2004), de poesias e crônicas, editados com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Também é da escritora ''Pedaço Eleito de Chão'' (2002).
''Nunca escrevi meus livros pensando em um público-alvo, definindo idade, e está sendo uma ótima surpresa saber que as crianças gostam de lê-los. Escrevo coisas que eu sinto, lembranças bonitas de um tempo bom e acho que é isso que vem agradando as pessoas'', comentou a escritora, que durante 25 anos se dedicou ao ensino de inglês e português em escolas da cidade.
Sobre o fato dos livros abordarem o período de formação de Londrina e mesmo assim interessarem leitores de outras regiões, Lugya explica que seus livros falam de um ''pioneirismo universal'', de pessoas que lutavam pelo que acreditavam, ''aos pioneiros de todos os tempos e lugares''. ''Pelo que os professores me dão de retorno, os meus livros estão sendo valorizados por permitir que se trabalhe o conceito de valores de vida através da poesia, da ludicidade. Numa sociedade em que o consumismo está tão exacerbado, principalmente nas escolas particulares, é cada vez mais importante esse resgate de valores que não é fácil'', disse.
Como exemplo do pioneirismo universal, Lygia cita o fato da região de Olympia ter tido a colonização calcada na produção de laranjas. ''Em Londrina, foi o café; lá, as laranjas promoveram riquezas e desenvolvimento. No fundo falamos da mesma coisa, de pessoas que foram pioneiras e lutaram para realizar os seus sonhos'', argumentou.
O convite para conhecer a escola de Olympia, e a consequente adoção dos livros como leitura obrigatória este ano, partiu da iniciativa de uma amiga da família de Lygia que presenteou alguns professores da escola com os livros no Dia do Professor. Depois disso, não demorou para que os professores começassem a utilizá-lo na sala de aula e decidissem fazer esse trabalho de forma mais sistemática.
Segundo a professora de português do ensino fundamental do Colégio Ernesto Riscali, Rosemeire Candida da Silva, a poesia é trabalhada desde a 1 série e os resultados são bem-sucedidos. ''Há cinco anos estamos trabalhando com poesia e o retorno é fantástico. As crianças adoram. Os livros da Lygia são completos, não falam apenas de sentimentos, mas também do cotidiano, da natureza, e ajudam as crianças a relacionarem esses temas com a própria vida'', explicou Rosimeire. Ela acrescentou que a poesia é trabalhada de forma integrada onde a expressão corporal, a dramatização dos poemas e aulas com música também colaboram no exercício de interpretar a poesia, estimular a escrita e desenvolver a criatividade. Até a declamação das crianças são gravadas para que elas possam se auto-observar e ficarem atentas quanto à pontuação, ritmo e sentido dos poemas. A escola também valoriza o estudo das crônicas e todo esse empenho é refletido na ''qualidade da produção de texto e na formação humanística das crianças'', comenta a professora.
Nas palestras que realiza, Lygia aborda o processo criativo dos escritos e não deixa de destacar para as crianças que o texto tem ''linhas'' e ''entrelinhas''. ''É interessante falar sobre isso com as crianças, incentivar nelas uma visão mais crítica para que percebam o sentido do texto, seja uma poesia ou crônica'', ressaltou.
''Nunca escrevi pensando que os livros teriam uma finalidade pedagógica ou didática, mas fico feliz em ver o quanto as pessoas estão percebendo que a poesia humaniza, pode deixar elas melhores.'' Lygia atualmente também está se dedicando na divulgação do livro junto à escolas públicas da cidade. Como contra-partida, uma parte dos livros editados por Lygia foram destinados para distribuição nessas instituições.


