Ensinando com irreverência
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 2009
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Ele vende Viagra, camisinhas e caixinhas de cigarro dentro das escolas - e ao mesmo tempo colabora com a formação moral dos estudantes, além de contribuir para fazê-los se interessar por literatura. Parece paradoxal, mas é brincando com elementos conhecidos e do dia a dia de crianças e jovens (ele tem também emabalagens de salgadinhos, Halls e pilhas) que o gaúcho Eugênio Carlos de Jesus, ou simplesmente Eucajus, aborda temas que costumam tirar o sono de pais e educadores.
Há mais de duas décadas, Eucajus vem ministrando palestras em escolas públicas e particulares de toda a região Sul do Brasil - segundo ele, foram mais de 1.500 em 90 cidades até chegar a Londrina, onde deve passar as próximas semanas. Com uma conversa descontraída e fácil, ele conquista a atenção de estudantes do ensino fundamental e médio, e consegue abordar temas que vão de respeito e disciplina a drogas e sexo.
Os ''produtos'' que vende na verdade são réplicas que guardam os mais variados textos de sua autoria - de poemas a curiosidades e até uma dose de autoajuda. Halls é Hábitos e Ações de Lucidez, Limites e Sabedoria. Via Grandes Pensamentos e Atitudes, o seu ''Viagra'', é vendido ''sob prescrição poética''. O maço de ''Eucajus box poesia'' tem baixo teor de palavrão e a advertência: ''O Ministério da Cultura adverte: poetar causa impotência no baixo astral''.
Essa irreverência cabe direitinho no senso de humor do seu público-alvo. Tanto que, depois de conhecer os produtos durante as preleções de Eucajus (ele os criou justamente para incrementar as palestras), muitos jovens fazem questão de comprar. Ele também estende o contato com os estudantes online, e diz que passa tardes inteiras respondendo e-mails e mensagens no Orkut. Esse feedback é importante também para divulgar seus dois ''textículos'' (''Sarau'' e ''Língua Solta''), comercializados apenas via internet a R$ 3. Eucajus afirma que já vendeu mais de 10 mil exemplares de cada um.
Mas o palestrante garante que seu objetivo não é vender e, sim, ensinar. Sua remuneração vem da contribuição voluntária (ele pede que o ajudem com R$ 1 por pessoa) em cada escola por onde passa. E os alunos pagam. Pagam a um desconhecido depois de ouvi-lo falar coisas que já estão cansados de saber: regras são importantes e têm de ser respeitadas, pense antes de falar, cuide do meio ambiente, use camisinha. Qual é o segredo?
''A diferença é que eu confio nos jovens. Acho que eles são muito capazes e carinhosos, e têm qualidades que a maioria dos professores acha que não. Eles só precisam de uma oportunidade de mostrar isso. E eu dou essa oportunidade'', argumenta.
Serviço:
Para entrar em contato com o palestrante o telefone é (54) 9944-8588


