Ensaio sobre a gagueira
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Omar Godoy <br>Equipe da Folha 
É verdade que o Oscar deste ano não tem nenhum concorrente sensacional. Em compensação, há uma briga boa entre dois filmes radicalmente diferentes: ''A Rede Social'' e ''O Discurso do Rei''. Este último, em cartaz a partir de hoje no Brasil, está melhor posicionado na corrida. Além de ser a produção mais indicada (compete em 12 categorias), faturou os principais troféus da reta final da temporada de premiações do cinema.
Resumindo vulgarmente, trata-se do típico ''filmão inglês de época''. Acadêmico, tecnicamente impecável, com personagens nobres (o protagonista é o próprio monarca) e referências a Shakespeare. De quebra, é inspirado em fatos reais e aborda temas como amizade, fibra e superação. Ou seja: é o contraponto perfeito ao moderninho ''A Rede Social'', que narra toda a ''trairagem'' por trás do surgimento do site Facebook.
A história começa em 1925, quando o Rei George V pede que o filho mais novo, o Duque de York (Colin Firth), faça um pronunciamento para uma multidão no estádio de Wembley. Mas o herdeiro, além de gago, tem uma verdadeira fobia de falar em público. Como era de esperar, o resultado da aparição é vexatório, obrigando o nobre a procurar ajuda especializada (sempre acompanhado da mulher, vivida por Helena Bonham Carter).
Entre um tratamento bizarro e outro, o casal acaba parando no consultório de Lionel Logue (Geoffrey Rush), um australiano que se autodenomina ''terapeuta da fala''. Esquisitão, porém sensível, ele logo percebe que o problema do cliente é de fundo emocional. O duque, no entanto, não quer encarar a verdade - até que explode uma reviravolta, literamente, histórica.
Forçado a assumir o trono, e rebatizado como George VI, o novo rei deve conduzir o império na Segunda Guerra Mundial. Ele é sério, competente, comprometido - porém ainda péssimo em se comunicar com os súditos. Sua única saída é se reaproximar de Logue, e é dessa relação que se extrai a essência de um filme marcado, principalmente, por excelentes atuações.
Firth e Rush se dão tão bem em cena que não será uma grande surpresa se os dois levarem os Oscars de melhor ator e coadjuvante, respectivamente. Por mais que esbanje eficiência técnica e artística, ''O Discurso do Rei'' não seria um sucesso sem eles. E o resto é pompa britânica para quem curte esse gênero.


