‘‘Altas Cavalarias – Dom Quixote e seus Precursores’’, ensaio do historiador Marcos Antônio Lopes, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, percorre as andanças filosóficas embaixo da armadura desses personagens, encontrando no homem da Triste Figura a virilidade da ascensão e queda de um gênero que, no Brasil, movimentou peças no jogo literário de Gonçalves Dias e José de Alencar. Além de um requintado trabalho de ilustração de Bruno Cerkuenik e Fabiano Rocchi Marçal, o ensaio oferece uma leitura saborosa antecipada pelo prefácio da jornalista Maria Helena de Moura Arias ao justificar o livro, entre outras coisas, pelo que a posteridade tem para definir a sorte dos heróis literários. O próprio Cervantes montado num Rocinante pronto para enfrentar os exércitos do ostracismo, que derrotam autores menos robustecidos, chegou aos dias de hoje inabalável ainda que, como ressalta o ensaio, tenha ao seu tempo colecionado fracassos. Lopes põe o autor entre os enigmáticos e complexos, não cabendo em nenhum modelo teórico capaz de esgotar o sentido global da obra. Um Shakespeare de língua espanhola que o historiador ilumina com a luz dos personagens clássicos: Quixote e Hamlet – irmãos gêmeos na divina grandeza. Paródia dos romances de cavalaria, as aventuras quixotescas vão além dos feitos heróicos. Lopes cita o filósofo holandês Johan Huizinga ao afirmar que a obra carrega uma sensualidade que transforma a ânsia do herói em sacrifício viril. Capaz de sangrar até a morte diante da amada. No enredo, a mulher é como um ardil, reduzida à condição de objeto de prazer.


Personagem criado pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes em 1605 para o livro El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha. Dom Quixote, cavaleiro andante que vivia num mundo de sonhos, e seu fiel escudeiro, Sancho Pança, resolveram, no século 17, caminhar pela Espanha à procura de aventuras

Hamlet, príncipe da Dinamarca, é uma tragédia escrita por William Shakespeare numa data não confirmada entre 1600 e 1602. A peça conta o sofrimento de Hamlet ao descobrir que o tio matou seu pai e casou-se com a mãe para obter o trono da Dinamarca, ameaçado pelo reino da Noruega

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