Depois de anos na estrada em busca da realização de um projeto pessoal, o ator londrinense André Luiz Lima, 34 anos, prepara-se para colocar seus planos em prática. Ele embarca hoje para Quito, no Equador, onde vai começar os ensaios do espetáculo ‘‘Lazarillo de Tormes’’, uma co-produção da Rede de Produtores Independentes da América Latina e Caribe.
A montagem, de acordo com André Lima, é uma oportunidade de intercâmbio cultural entre Brasil e Equador, já que a direção será de Aristides Vargas Sosa, diretor argentino residente em Quito. ‘‘Além disso, vamos trabalhar com uma equipe de Londrina, um pessoal muito bom que poderá também participar deste intercâmbio’’, comenta.
A equipe é formada por Gelson Amaral (cenário), Rachel Balekian (iluminação), Elimar Plínio Machado (preparação vocal e instrumentos), Marcos Scolari (trilha sonora), Marcos Martins (técnico geral) - todos de Londrina, Pepe Rosales (figurino) e Carmen Vicente (maquiagem) - estes do Equador. O texto do programa é do jornalista Nelson Capucho.
Aristides Vargas Sosa também assina a adaptação do texto, um clássico da literatura espanhola, que é o testemunho de um homem deixado em um mundo que não o compreende e que, ao inventar seu modo de sobrevivência, acaba transgredindo as leis pré-estabelecidas.
André Luiz Lima permanece em Quito pelos próximos 45 dias. Depois, retorna ao Brasil, onde fica duas semanas. O ator viaja de volta ao Equador para sua estréia, em 26 de março, durante o Festival de La Nueva Sensibilidad.
A idéia da montagem, como uma co-produção da Rede, surgiu do encontro de André Lima com o diretor da Fundación Humanizarte (núcleo da Rede no Equador). ‘‘Participei de um intercâmbio de atores latino-americanos na Suíça, onde conheci Juana Guarderas e Carmen Vicente, do Equador’’, lembra. Depois, vieram outros encontros no Rio de Janeiro e Londrina. Em junho de 98, ele viajou para o Equador para trabalhar a pesquisa e o projeto com o grupo Malayerba.
André Lima afirma que o Festival Internacional de Londrina (Filo) foi a ponte para esse contato com a Rede de Produtores, uma organização não governamental (ONG) da qual participam cerca de 20 países. Criada há seis anos, a partir da união de produtores independentes, a Rede viabiliza o intercâmbio de experiências e conhecimentos, e a criação de projetos conjuntos entre artistas de diversas regiões, cidades ou países.
A ONG já produziu 92 eventos e oficinas e apresentou mais de 500 artistas para um público estimado em mais de 150 mil pessoas. Para André Lima, o principal objetivo de seu projeto é a troca de experiências e sensibilidade, o que proporcionará crescimento e aperfeiçoamento profissional a toda a equipe envolvida na montagem. ‘‘Meu objetivo sempre foi fazer intercâmbio, poder trocar sensibilidade, já que escolhi o ser humano para trabalhar. Esta montagem é a realização de um sonho, depois de tanta estrada... é poder abrir para experiências com outras pessoas’’, observa.
Em ‘‘Lazarillo de Tormes’’, André Lima vai cantar, tocar alguns instrumentos (como acordeón e castanhola) e dançar (ele terá aulas de dança andina com Nelson Diáz). Todo o espetáculo será falado em espanhol - exceto no Brasil. ‘‘Em cada cidade que apresentar a montagem, teremos atores locais fazendo intervenções no saguão dos teatros e ‘passando o chapéu’ - o que representa o Lazarillo’’, adianta.
Depois da estréia no Equador, André Lima se apresenta no Teatro Paiol, em Curitiba, no mês de abril. Em maio, participa do Encontro Internacional de Produtores em Quito. No segundo semestre, tem temporada marcada em São Paulo. A agenda inclui, ainda, apresentações nos festivais de Quito e Manta (Equador), Festival de Manizales (Colômbia), Festival de Trujillo (Venezuela), Festival de Las Artes (Costa Rica), Festival de Santa Cruz e Sucre (Bolívia), Lugano e Teatro Della Radici (Suíça), Festival de Avignon (França) e temporadas em El Salvador, Londrina, Rio de Janeiro, Belo Horizonte.
Além da co-produção da Rede, André Lima recebeu o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria da Cultura de Londrina, Embaixada Brasileira em Quito, Centro de Estudos Brasileiros (também no Equador), Sercomtel, escola de línguas CCAA e José Augusto Sandresc. O ator avisa que o projeto ainda está aberto a patrocínio, através do sistema de cotas. Interessados em contribuir podem entrar em contato pelos fones (043) 322-2486, 323-4413 (fone-fax) ou via e-mail: [email protected].

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