Muito além de uma história forte e personagens bem construídos, uma novela é baseada na demanda. Se faz sucesso, fica mais tempo no ar. Se a audiência é fraca, o número de capítulos é reduzido. O "estica e puxa" que acontece nos folhetins é um capítulo à parte na teledramaturgia nacional. Em ambas as situações, o autor precisa se resguardar para não ser pego de surpresa.
Apesar disso, o resultado do prolongamento de uma trama nem sempre é favorável. Com diversas "barrigas" e inserção de núcleos que nada têm a ver com o eixo central da trama, o telespectador, por vezes, lamenta a morosidade da história e acaba se desinteressando.
Para Walcyr Carrasco, responsável por "Amor à Vida", faz parte do seu trabalho estar preparado para ter de reduzir ou aumentar suas novelas. "É uma questão profissional. Você precisa agir de acordo com o que é pedido", afirma. A atual novela das nove ganhou quase um mês a mais de exibição. O fato, no entanto, não incomoda Carrasco. "Todas as minhas tramas, com exceção de 'Morde & Assopra', foram aumentadas. Estou acostumado", gaba-se.
Algumas vezes, no entanto, não é só o roteiro que define o sucesso ou o fracasso de uma novela. Para Ana Maria Moretzsohn, estrear perto do início do horário de verão ou então durante as férias escolares é o maior vilão encontrado pelos autores. Por isso, neste ano, nenhuma trama começará durante a Copa do Mundo.
Ana Maria, inclusive, viveu os dois lados da moeda. Em "Esplendor", novela exibida pela Globo em 2000, a autora prolongou os 75 capítulos previstos para um total de 125. "Mantive a Flávia Regina em coma durante a exibição. Quando tive de estender, a tirei desse estado e fiz agitar a história", relembra, citando a personagem de Christine Fernandes.
Já em "Rebelde", também escrita por ela e veiculada pela Record em 2011, a ideia era que a novela infantojuvenil tivesse quatro temporadas. No entanto, a baixa audiência que acarretou no pouco rendimento dos produtos derivados da trama, fizeram com que ela durasse pouco mais que dois anos.
Tiago Santiago viveu o oposto com a "saga mutante". O sucesso de "Caminhos do Coração", exibida pela Record em 2007, o levou a escrever duas continuações, "Os Mutantes" e "Promessas de Amor". Com as três novelas, o autor bateu o recorde de trama mais longa. A trilogia teve 607 capítulos consecutivos no ar, 11 a mais que "Redenção", exibida entre 1966 e 1968 na TV Excelsior, detentora da marca. "A novela se sofisticou e ganhou fôlego para continuar", defende Tiago.
Se Tiago foi pego de surpresa, Íris Abravanel, para não repetir a falta de planejamento no remake de "Carrossel", se preparou melhor para reescrever "Chiquititas". "O SBT não previu que 'Carrossel' levantaria a audiência da emissora e nos levaria aos dois dígitos. Por isso, a aposta na sucessora foi muito melhor idealizada no ponto de vista dos autores, direção e setor comercial", avalia a autora. A boa repercussão das tramas infantojuvenis resultou na série "Patrulha Salvadora", um "spin-off" de "Carrossel", e a ideia é que "Chiquititas" dure até o início de 2015.
O custo total de produção de uma novela vai se pagando ao longo da exibição. Segundo as emissoras, é a partir do capítulo 100 que isso acontece. No entanto, novos modelos de produção – onde é possível conjugar menos capítulos e eficiência comercial – foram surgindo.
Atualmente, para autores, direção e elenco, o ideal é que as novelas não cheguem aos famigerados 200 capítulos. "Recentemente, tiveram mudanças realmente qualitativas nas novelas. As tramas e os próprios capítulos ficaram muito grandes para atender melhor aos interesses comerciais da empresa", opina Marcílio Moraes, responsável por novelas como "Ribeirão do Tempo" e "Vidas Opostas", ambas da Record.
No time dos defensores de tramas mais enxutas, também está Thelma Guedes e Duca Rachid, de "Cordel Encantado" e "Joia Rara". "Só fazendo um produto que fica no ar no mesmo tempo em que se faz um filme é que conseguimos ter um elenco repleto de grandes nomes", avalia Duca.

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