Mais seis escolas da elite do carnaval carioca se apresentarão amanhã na Marquês de Sapucaí. E, como sempre acontece ano a ano, a polêmica vai junto. Desta vez, envolvendo a Beija-Flor de Nilópolis, terceira a entrar na avenida na segunda-feira. Maior campeã da Era Sambódromo, com sete títulos em 30 edições, a azul e branca da Baixada Fluminense ganhou um patrocínio de R$ 10 milhões da Guiné Equatorial para contar a história do país africano. É o maior investimento já feito em um enredo de escola de samba. O que tem provocado reações contrárias ao patrocínio é que a Guiné Equatorial é governada pelo ditador Teodoro Obiang, cujo regime é considerado por entidades ligadas aos direitos humanos como um dos mais repressores do mundo.
Para "disfarçar" o tema, a comissão de carnaval da Beija-Flor deu um jeito de falar sobre a cultura africana de forma generalizada, coisa que já fez em outros carnavais, mas foi obrigada a incluir o nome Equatorial na letra do samba em uma das referências à Guiné de Obiang. Depois do inesperado sétimo lugar do ano passado, quando ficou fora do Desfile das Campeãs pela primeira vez em 22 anos, a escola espera reverter todo o investimento em título.
Os desfiles de amanhã também terão como atrações a Portela, que homenageará os 450 anos do Rio de Janeiro, a pedido do prefeito Eduardo Paes, portelense inveterado; União da Ilha, embalada pelo quarto lugar ano passado, que falará sobre a indústria da beleza; Imperatriz Leopoldinense, cujo samba para exaltar Nelson Mandela e a igualdade racial é um dos melhores do ano; e a atual campeã, Unidos da Tijuca, levando a Suíça para a Sapucaí. (D.P.)

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