Enlatados fazem sucesso
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sábado, 13 de setembro de 2008
Ana Carolina Rodrigues<br> Folhapress 
Enlatados fazem sucesso
Os médicos bonitões que desfilam pelos corredores do Seatlle Grace Hospital na série ''Grey's Anatomy'' têm lá sua parcela de culpa. Assim como a protagonista Meredith Grey (Ellen Pompeo) tem seus encantos para seduzir o público. Mas só a popularidade, a repercussão e o prestígio que as séries ganharam nos últimos anos podem justificar o fato de ''Grey's'' ter entrado na lista dos cinco programas mais vistos no SBT após sua primeira semana de exibição. A série estreou na emissora de Silvio Santos em julho. ''Ugly Betty'', ganhadora de mais de 30 prêmios e febre em várias partes do mundo, também está no pacote de atrações do canal que têm conseguido bons números de audiência - a história da jovem humilde e muito feia tem média de 8,6 pontos, cerca de cinco a menos que a novela ''Pantanal'', a melhor audiência do SBT.
Na Record, sucessos como ''CSI'', ''House'' e ''Heroes'' têm destaque na programação, enquanto a Globo adotou há três anos a estratégia de apresentar as premiadas séries ''Lost'' e ''24 Horas'' em fevereiro. Independentemente do título, o fato é que os ''enlatados'' - como ficaram conhecidas as produções estrangeiras - perderam o título de tapa-buraco na programação para se transformar em vedetes de todos os horários, tanto na TV aberta quanto nos canais pagos. ''Antigamente, as séries eram exibidas para ocupar espaço, mas sempre foram atrações populares. O que acontecia é que as emissoras abertas não priorizavam esse tipo de programa e não faziam pesquisas para medir o sucesso das produções. Com a chegada das televisões pagas, que tinham espaço na programação e investiam em pesquisas, ficou provado que essas atrações conquistavam fãs. A TV aberta só passou a dar atenção às séries com a consolidação dos canais por assinatura'', diz Marcos Petrucelli, crítico de cinema e comentarista de TV.
Paulo Barata, diretor do Universal Channel no Brasil, emissora que exibe os sucessos ''House'' e ''Monk'', afirma que alguns fatores contribuíram para que as séries se tornassem tão populares na televisão brasileira. ''Temos um público afeito à novela e à teledramaturgia, e os seriados são as atrações que mais se aproximam do modelo das novelas, consagrado no País. Precisamos levar em conta que recentemente tivemos uma explosão das produções americanas. A TV paga cresceu e ficou acessível a um número maior de pessoas'', analisa Barata.
Segundo ele, o telespectador mantém com os seriados uma relação pautada pela fidelidade. ''Mas não é qualquer título que faz sucesso. As emissoras precisam saber escolher o que vão exibir. Muitas séries entraram e saíram do ar como fracassos'', emenda Petrucelli.
Um dos fenômenos de repercussão fora e dentro da TV, ''Lost'', que estreou em 2004 nos Estados Unidos e em 2006 na Globo, é apontada como uma das responsáveis pela recente agitação que tomou conta do mundo das séries. ''Lost veio para estabelecer de vez o gosto do brasileiro. O público já está para lá de saturado das novelas. O crescente investimento, até mesmo dos canais abertos, em produções próprias ou aquisições de fora, comprova isso'', diz Bruno Carvalho, dono do blog ''Ligado em Série'' - coincidência ou não, as novelas passam por uma crise de audiência.
Fã de carteirinha dos seriados, Carvalho diz que os títulos que fazem mais sucesso são aqueles que conseguem inovar na maneira de contar a história. ''CSI, de certa forma, 'profissionalizou' os dramas americanos, dando a eles produção e recursos cinematográficos nunca antes vistos na TV. Depois disso, veio o 24 Horas, contando os dias de Jack Bauer em tempo real'', exemplifica. ''É claro que uma fórmula inovadora não adiantaria em nada sem um bom texto. Grey's, por exemplo, é uma série estilo ''novelinha', mas que conta com um excelente roteiro e ótimas interpretações'', diz o blogueiro.
Adquirir os direitos de exibição de uma série não é só sinônimo de sucesso para as emissoras. Como elas não precisam se envolver na produção das atrações, os seriados são alternativas práticas. ''A coisa já vem pronta e não há envolvimento com problemas do elenco e outras preocupações'', afirma Claudino Mayer, pesquisador de comunicação. Julio Weiner, diretor da TV PUC-SP, confirma a teoria de Mayer. ''Esse tipo de atração cativa o público por várias horas com um custo menor do que o de um filme'', exemplifica.
De olho nas vantagens e na audiência, SBT, Record e Globo, assim como as emissoras da TV paga, continuarão a investir em séries. ''Normalmente, acompanhamos o desempenho, a repercussão e a aceitação dos seriados no mercado americano como referencial para a exibição em nossa programação'', conta Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record. Segundo a Central Globo de Comunicação, as produções escolhidas pela emissora são as que têm boa repercussão fora do País, desde que não concorram com as atrações brasileiras.


