Paris - O centenário da morte de Emile Zola - celebrado no último domingo - trouxe novamente à discussão um dos grandes enigmas policiais e literários do século: ''Foi ou não assassinado o escritor que era o homem mais detestado na França em sua época?
O centenário é lembrado na França com diversos atos, entre eles uma exposição na Biblioteca Nacional. Há décadas, a morte de Zola é discutida, sem nunca ter sido esclarecida. ''O atentado parece possível, mas sem a certeza da prova'', diz Henri Mitterand, especialista e biógrafo de Zola.
Na noite de 28 de setembro de 1902, a empregada doméstica do casal Zola acendeu a lareira de um dos cômodos da casa deles em Paris. ''À noite, Alexandrine e Emile Zola se sentiram mal. Alexandrine ficou desvanecida na cama, enquanto Emile quis se levantar e abrir a janela, mas caiu no chão e o monóxido de carbono fez seu trabalho'', escreveu o biógrafo. Alexandrine conseguiu escapar e viveu até 1925. Devido à memória ainda fresca do caso Dreyfus, a polícia quis evitar polêmica e encerrou rapidamente o caso, com a aprovação da família do escritor. Aceitou-se como causa mortis uma obstrução acidental da chaminé por entulho procedente de obras realizadas pouco tempo antes.
Mas em 1927 o jornal ''Libération'' citou a confissão feita por um telhador antes de morrer, em que ele revelava ter obstruído a chaminé propositalmente. O homem, Henri Buronfosse, tinha sido membro de uma liga nacionalista.
Zola, grande figura do naturalismo, transformou o romance em arma política e social. ''Escrevia a realidade e seus inimigos o chamavam de lixeiro; dizia a verdade e os antiDreyfus o xingavam de traidor'', lembram os organizadores de uma exposição na Biblioteca Nacional. ''A História e o veredito anônimo dos leitores fizeram Justiça tanto ao homem quanto ao escritor'', afirmam.

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