Enigma cênico
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 2014
Geraldo Bessa<br> TV Press 
Muito mais que visibilidade ou apelo popular, Antonio Calloni sempre negociou suas participações na tevê de acordo com as possibilidades dramáticas de seus personagens. E foi exatamente as nuances e o caráter complexo do misterioso LC que o fizeram ingressar em "Além do Horizonte". "A novela por si só já tem todo um enigma e esquema diferente de outras tramas. E meu personagem está no centro nervoso de todos os segredos que regem a história. O público estranhou, mas ousadias são bem-vindas", analisa.
Paulistano radicado no Rio de Janeiro há mais de duas décadas, Calloni chega aos 52 anos de idade com a calma de quem já viveu de tudo um pouco na tevê, desde sua estreia, em "Anos Dourados", de 1986. Com uma carreira marcada por personagens de destaques em novelas como "Era Uma Vez...", "Terra Nostra", "O Clone", "Caminho das Índias" e, mais recentemente, "O Astro", o ator abusa do humor ao refletir sobre nunca ter feito um protagonista em novelas. "Sinceramente, me orgulho de nunca ter dependido de fazer um papel principal para ganhar prestígio e dinheiro. Me considero um privilegiado por pegar personagens paralelos e conseguir me destacar com eles", afirma.
Pelos mistérios e flerte com a ficção científica, a trama de "Além do Horizonte" se distancia do estilo mais clássico dos folhetins. Esse conceito agrada você?
Bastante. Sempre fui louco por ficção científica. A novela é muito comparada a séries como "Lost", mas busquei inspiração mesmo foi na saga de "Star Wars", clássico do qual sempre fui muito fã. A história é fantástica e se desdobra sempre de forma muito surpreendente. Como um fanático pelo Darth Vader, enxergo um paralelo do meu personagem em "Além do Horizonte" com o principal vilão da história de George Lucas.
Como assim?
São dois personagens seduzidos pelo "poder", pelo "lado negro da força", e que se deixam envolver completamente por isso. Pelo desenrolar da novela até aqui, a personalidade obscura dele é meio Darth Vader. Aguardo mais informações e cenas dos autores, mas desde já acho interessante ter uma novela com um texto tão diferente no ar. LC é um tipo misterioso e do qual sei muito pouco.
Você acha que o público de televisão está muito "careta"?
Acho que um pouco acomodado. Por isso, acredito ser muito interessante a emissora e os diretores apostarem em histórias que fogem do óbvio. Só assim é possível romper, criar novidades e formar novos públicos. Como ator, vou lá e faço o meu trabalho. Mas é claro que também me preocupo com a audiência. Toda a equipe é afetada quando um trabalho não vai tão bem no Ibope e isso vai além das alterações na trama ou de gravações. Não acredito em gente que fala: "não ligo para a audiência", "não ligo para críticas". É impossível ficar alheio a isso. Na medida em que eu não "ligar" para o que está acontecendo ao meu redor, estarei morto. E não quero isso por enquanto.
Romper com o que já está estabelecido é um dos temas mais fortes de "Além do Horizonte". Você já passou por alguma experiência do tipo?
Acho que a primeira grande ruptura da minha vida foi mesmo largar o curso de Edificações na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e começar a fazer cursos livres de Teatro. Cheguei até a entrar em outra faculdade, a de Sociologia, na USP (Universidade de São Paulo), mas aí desisti de novo ao sentir que eu queria mesmo era ser ator. Depois de escolher a profissão, veio mais uma grande mudança na minha vida, que foi fixar moradia no Rio de Janeiro. Isso já faz mais de 20 anos. Foi aqui que conheci minha mulher. Meu filho, inclusive, é carioca.
Ao mudar para o Rio, você acabou fortalecendo sua relação com a televisão, em especial, com a Globo. Algum personagem foi o "culpado" de você ter focado sua trajetória no veículo?
Acho que essa confirmação já veio com a minha estreia, em "Anos Dourados", de 1986. A minissérie foi um estouro e isso repercute até hoje, nas reprises e na quantidade de gente que participou desse trabalho e está com a carreira muito bem encaminhada, casos de Malu (Mader), Felipe (Camargo) e Isabela (Garcia), entre outros. Todo mundo se deu bem e construiu sua história. Alguns anos depois, em "O Dono do Mundo", só confirmei o que eu já sabia.


