Engenharia genética: antigos já conheciam a ciência do futuro
Que a engenharia genética - provavelmente o ramo mais nobre da biotecnologia - caminha para se transformar na grande revolução do próximo século, não há a menor dúvida. Os cientistas dizem que as experiências com plantas e alimentos e a clonagem de animais são apenas o começo. Mas, na verdade, tudo começou há muito tempo. Já em 6000 a.C., os mesopotâmicos e egípcios produziam bebidas (vinho e cerveja) com a fermentação de frutas (uva) e cereais (arroz). Em 4.000 a.C., os egípcios faziam pão a partir da fermentação da farinha de trigo. E em 2300 a.C. algumas comunidades da América Central já conseguiam obter sucesso com a descoberta de novas variedades de milho, resultado de cruzamentos com espécies silvestres.
De progresso em progresso, o mundo chegou à descoberta das propriedades do código genético em 1962 (S. Ochoa, nos EUA, e F. H. Crick, na Inglaterra), à aplicação industrial da biotecnologia, em 1971, à primeira patente de engenharia genética, em 1980 e, finalmente, à clonagem de animais, que abre caminho para novas descobertas no próximo milênio.
Todo o código genético está sendo decifrado, por intermédio do Projeto Genoma Humano. A ciência também avança rapidamente nas pesquisas com plantas e animais, a ponto de se esperar, lá pelo ano 2003, a descoberta de técnicas revolucionárias de cultivo e de novos remédios para doenças até agora incuráveis.
O homem está, pela primeira vez, de posse de uma tecnologia que não violenta a natureza, mas a faz sócio dela, afirma o cientista Howard Schneiderman. Pela primeira vez na história da humanidade, estamos decifrando a linguagem da natureza e aprendendo a falar com essa linguagem. Os cientistas brasileiros também aprendem, e muito, com a biotecnologia. Há oito anos, por exemplo, os pesquisadores da Universidade de Viçosa, Minas Gerais, conseguiram neutralizar geneticamente as enzimas responsáveis pelo sabor desagradável da soja. O sabor foi eliminado e a descoberta teve grande repercussão nos meios agrícolas internacionais. Esta foi apenas uma das muitas descobertas feitas pelos brasileiros.
Ainda graças à biotecnologia, prevê o cientista social americano Stan Davis, autor do livro Visão 2020, o consumidor passará a conviver com máquinas mais inteligentes do que as de hoje e poderá usar camisas cujas fibras abrirão e fecharão de acordo com a temperatura ambiente, entre outras novidades. O futuro está na biotecnologia, conclui. É a continuação de uma história iniciada em 6.000 a.C. e que, tudo indica, nunca terá fim.





