Ganhadora do Oscar de melhor atriz por ''Os Últimos Passos de um Homem'' (1995), além de outros 35 prêmios, Susan Sarandon, 61 anos, é uma das atrizes mais consagradas de Hollywood. Nos últimos anos, porém, ela vem se dedicando mais à causa política que artística. Democrata fervorosa, ela frequentemente sai às ruas para protestar contra Bush e a Guerra do Iraque e, neste ano, está em campanha por Barack Obama, ao lado do filho Jack, 18, e Tim Robbins, seu marido. Uma exceção foi a recente participação da atriz no filme Speed Racer, que estreou este mês no Brasil.


Por que, nos últimos anos, não vemos mais você protagonizando um filme? Parece que você tem optado por papéis coadjuvantes.
Não sei se isso está acontecendo por causa da minha idade ou porque os roteiristas não têm escrito protagonistas que se encaixam no meu perfil. Eu sempre tento escolher papéis que se diferem muito do que eu já fiz anteriormente. Talvez eu esteja virando um Gene Hackman, sei lá (risos). Meu critério de escolha é se o diretor me agrada ou se eu me emociono quando leio o roteiro. O que me moveu a fazer Speed Racer foi trabalhar com os Wachowski e também porque eu queria muito saber como era atuar em frente a uma telona verde. Foi uma loucura trabalhar com eles. Os irmãos se autodenominam geeks (nerds descolados), donos da mente mais viajante com que eu já trabalhei na vida. E isso é impressionante para alguém que nunca usou drogas (risos).


Nos últimos anos, sua imagem tem sido constantemente associada à militância política...
Dependendo de quem é eleito, eu saio do meu conforto e vou para as ruas, sim, por que não?


Isso não prejudica sua carreira como atriz e o relacionamento com produtores, diretores e estúdios ?
Eu tenho muito orgulho do fato de as pessoas do mundo inteiro reconhecerem que eu me preocupo com o que está acontecendo em outros países, porque os Estados Unidos se isolaram e muitos norte-americanos não têm a menor idéia do que está acontecendo lá fora. Me sinto muito feliz em ser politicamente engajada. É algo tão importante na minha vida quanto a atuação.


Você diz isso em relação aos últimos anos, por conta do governo Bush, que você não apóia, ou sempre foi algo relevante em sua vida?
Eu era engajada muito antes de ser atriz. Ser engajada na minha época, nos anos 70, era como respirar.


Acha importante os atores de Hollywood serem engajados?
Raciocine comigo. Se você é um ator que usa sua imaginação para compor seus personagens, tentando entender a dor dos mesmos para dar veracidade à atuação, me parece algo extremamente natural ser politicamente engajado. Porque, a partir do momento em que você se imagina como uma mãe que está perdendo seus filhos em guerras como a do Iraque, como você pode não se envolver? Isso não se aplica apenas a atores, qualquer artista que usa a imaginação tem que se envolver.


Por que o Barack Obama?
Estamos vivendo uma época muito importante. Se não fizermos a escolha certa, estaremos encrencados. Adoraria uma mulher na presidência. A Hillary Clinton adotou vários princípios que eu admiro. Mas meu filho de 18 anos (Jack) decidiu virar engajado politicamente graças aos livros do Obama. Ele passa uma mensagem para o mundo de que não queremos ser os vilões.


Você vê uma grande mudança de rumos nos Estados Unidos após as eleições presidenciais?
Espero que mude para melhor. Espero que as pessoas aqui acordem. A crise econômica não vai ser resolvida do dia para a noite, especialmente porque a gente não sai nunca do Iraque, de uma guerra que está sangrando este país e dividindo a população. O efeito colateral desta guerra vai levar gerações para ser consertado. Pois há milhares de soldados voltando do Iraque com suas almas e corpos despedaçados. A gente ainda nem começou a lidar com isso.

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