Enfim, um tipo normal
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sexta-feira, 18 de julho de 1997
Ana Cristina Ioselli TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasClaudia Ohana sobre Olímpia:Estou redimindo minha imagem com o públicoHá sete anos Cláudia Ohana não interpretava um personagem normal na tevê. Em 92, encarnou a vampira roqueira Natasha, de Vamp. No ano seguinte veio a esquisita Camila, de Fera Ferida, que passava meses a fio dormindo e, de repente, acordava como se nada tivesse acontecido. E há dois anos viveu a desequilibrada Isabela, de A Próxima Vítima. Depois de tantas experiências fortes, viver a politizada Maria Olímpia, de Zazá, causa um certo estranhamento à atriz. Fazer a coisa simples é complicado para mim, admite Cláudia, exibindo um indisfarçável descontentamento quanto ao atual trabalho na tevê.
Gosto de compor, de criar tipos, diz, lembrando imediatamente da Isabela, de A Próxima Vítima. Rindo de si mesma, Cláudia compara a trama de Isabela a de um dramalhão mexicano. E ela ainda terminou com uma cicatriz no rosto, diverte-se.
Contratada da Globo, Cláudia aceitou interpretar a atual personagem por dois motivos. Primeiro, a direção é de Jorge Fernando, de quem tornou-se amiga depois de vários trabalhos juntos. E o perfil de Maria Olímpia sugeria uma moça com espírito de aventura que, para defender crianças do trabalho escravo, era capaz de mil peripécias. Pelo menos estou redimindo minha imagem com o público. A Isabela era muito malvada, conforma-se.
De vez em quando, bem que Cláudia gostaria de estar no oba-oba bem-humorado que permeia a novela, em vez de fazer o contraponto sério dentro de uma comédia. Mas sei a importância da luta da personagem, pondera a atriz. Ela já marcou uma conversa com a deputada Benedita da Silva, que tem projetos de luta contra o trabalho escravo de crianças no Brasil.
Em meio a um elenco numeroso, recheado de grandes nomes, Cláudia não tem muitas pretensões em relação à Zazá. Por isso, vai tocando outros projetos, como as viagens com a peça O carteiro e o poeta e a produção do filme Anita Garibaldi, que começa a ser rodado em março do ano que vem no Rio Grande do Sul.
Com a aparência abatida por conta das gravações de Zazá, das viagens teatrais e de um sem-número de problemas para resolver quanto ao filme, brinca dizendo que só tentando o suicídio. Devia estar louca quando resolvi fazer este filme, sugere, em tom de brincadeira.
Veterana no cinemaPor ser um filme de época, tudo exige pesquisa detalhada para que não se cometa nenhum deslize histórico. É muita coisa!, desespera-se. Mas quando começa a falar da vida de Anita Garibaldi, o semblante de Cláudia ilumina-se.
Até perceber que Anita era uma personagem interessante, Cláudia nada sabia da vida de sua futura personagem. Agora, depois de muita pesquisa, fala com propriedade sobre a história da camponesa do Sul do Brasil que, ao apaixonar-se pelo italiano Giuseppe Garibaldi, largou o marido e lutou ao lado do amado na Revolta dos Farrapos, em 1835.
Se o transtorno é evidente em relação à produção, quanto às filmagens Cláudia está tranquila. Aos 33 anos de idade, fala de cinema como veterana, já que são 18 anos diante das câmaras cinematográficas nacionais e estrangeiras. Parte da vivência cinematográfica, Cláudia dividiu com o ex-marido Ruy Guerra, a quem convidou para dirigir Anita. O Ruy é um dos cineastas que filma mais bonito no Brasil, elogia.
Escolher o diretor foi fácil. Difícil está sendo escalar o ator para viver o herói Giuseppe Garibaldi. Ele era louro, muito bonito e tinha uns 39 anos. É muito difícil achar um ator assim e com carisma, preocupa-se Cláudia, que está pensando na possibilidade de pintar os cabelos de algum ator moreno.
Se Cláudia mostra mais animação com o filme que em relação à Zazá, a esperança de que a trama de sua personagem na tevê se desenvolva não morreu. Afinal, novela hoje em dia é um tremendo Você decide. É o público que resolve o que vai acontecer, aguarda.


