Arquivo FolhaAlzira Espíndola: ‘‘Procuro respeitar o meu tempo’’A cantora mato-grossense Alzira Espíndola, 39, mudou de nome. Em ‘‘Peçamme’’ (trocadilho de‘‘peça-me’’ com as iniciais de seu nome completo, Alzira Maria Miranda Espíndola), ela vem disposta a exorcizar a identificação com a irmã mais famosa, Tetê. Para tal, se transforma em Alzira Maria. ‘‘Me vinculam muito com a Tetê. As pessoas vão aos meus shows esperando ouvi-la. Mas desde crianças curtimos ser opostas uma da outra’’, justificou. ‘‘Também não quero ficar me aproveitando do que ela já conquistou.’’
Em ‘‘Peçamme’’, a cantora e compositora segue tendência esboçada em dois discos anteriores. Das 15 faixas, nove têm dedo de Itamar Assumpção, com quem Alzira começou carreira - como backing vocal -, mas de quem só veio a se aproximar mais intensamente em 1988. Em outra faixa, ‘‘Itamar ɒ’ (composta por ela), o artista é o homenageado.
‘‘É a minha maior influência, sem dúvida’’, disse. ‘‘Gostaria de gravar um disco só com músicas dele, mas acho que ainda não estou à altura.’’ Do músico paulistano Alzira também herda a relação marginal com o mercado. Tem lançado um disco a cada cinco anos - sempre em esquema independente - e nunca passou perto da grande indústria fonográfica.
‘‘Não vejo isso como maldição. Procuro respeitar muito meu próprio tempo, fazer o que posso no tempo que posso. O mercado não respeita o tempo do artista. Além disso, tenho cinco filhos, tenho que repartir meu tempo’’- disse. Ela não credita à vida familiar a relação distanciada do mercado. ‘‘Posso estar fazendo arroz e nos intervalos tocar violão, cantar, compor. Faço música o tempo todo, a música anda sozinha.’’

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