PERSONAGEM ENFIM, O REI DA FOLIA Passista desde criança, o rei Momo de Curitiba passou por todas as instâncias do samba até chegar à realeza Mauro FrassonO rei Momo de Curitiba, Jarbas dos Reis, é massagista profissional e já atuou no Clube Atlético. Agora, seu sonho é criar uma escola para mestres-salas Simone Mattos De Curitiba Um conhecido carnavalesco de Curitiba, Jarbas dos Reis (Timbuca), é o Rei Momo 2000. Aos sete anos de idade, ele já desfilava como passista-mirim da Escola de Samba Colorado. Trinta e sete anos depois, Timbuca se orgulha de ter passado por todas as etapas e conseguido tudo o que queria no Carnaval. ‘‘Com isso, posso encerrar a minha carreira neste ano’’, declara. Para chegar a Rei Momo, ele percorreu várias etapas. Durante quatro anos, no início dos anos 80, foi passista da ala-show da Mocidade Azul. Na mesma escola, atuou como mestre-sala por oito anos. Mais tarde foi ritmista da extinta Acadêmicos da Sapolândia. Entre 1986 e 1989, voltou a ser mestre-sala, na Embaixadores da Alegria. Deste período ele lembra com orgulho que foi o único mestre-sala a receber nota dez da carnavalesca carioca Dona Zica, que integrou a comissão julgadora do Carnaval de Curitiba em 1987. Depois disto, Timbuca engordou muito e acabou ficando dez anos afastado do Carnaval. Recentemente, foi pressionado pela própria família a regressar à festa. Seguindo os passos de seu pai, que conquistou o segundo lugar no concurso para Rei Momo no início dos anos 80, ele resolveu se candidatar e acabou sendo surpreendido com a conquista do título. Com 1,70 m de altura e 114 quilos, Timbuca afirma que é preciso muito mais do que o porte físico para se eleger. ‘‘Um Rei Momo tem que ter graciosidade, alegria, respeito e atenção com as pessoas e uma boa conversa’’, diz. Ele acha também que o seu vasto currículo carnavalesco pesou na escolha dos jurados. Massagista esportivo profissional, o Rei Momo já atuou no Clube Atlético Paranaense e atualmente trabalha na escola de futebol Expressinho. ‘‘O meu sonho é abrir uma escola para mestre-sala e porta-bandeira, que poderia ser ligada à Fundação Cultural de Curitiba’’, conta. Como Rei Momo 2000, ele acredita que estará mais próximo de realizar o seu sonho. Timbuca está consciente da sua responsabilidade de ‘‘tomar conta da cidade’’ durante quatro dias, já que o prefeito passará simbolicamente as chaves para a sua mão. Ele critica o atual Carnaval de Curitiba, dizendo que a festa perdeu muito do entusiasmo que já teve. ‘‘Na época em que eu era passista-mirim, as crianças brincavam nas ruas com máscaras e bisnagas d’água e as rádios tocavam marchinhas de Carnaval’’, diz. ‘‘Isto tudo se perdeu.’’