Enfim, o absurdo
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 1997
Da Redação 
Filipe Salles/DivulgaçãoCena de A Cantora Careca, cartaz de hoje da Mostra Regional de TeatroDepois de nove dias e 21 espetáculos diferentes, além de nove apresentações de sete projetos cênicos, chega ao fim a primeira fase do Festival Internacional de Londrina/Filo 97, a Mostra Regional de Teatro. No programação de encerramento, um único espetáculo: A Cantora Careca do grupo paulistano Linha de Montagem, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde.
A programação traz também, das 14 às 18 horas, no Crystal Palace Hotel, uma reunião geral com coordenadores dos projetos cênicos e autoridades das áreas de Cultura e Ação Social. Segundo os organizadores da Mostra, a reunião tem como objetivos promover um maior entrosamento entre os coordenadores dos diversos projetos - Plantão Sorriso, Teatro Zona Rural, Neuma, Teatro da 3ª Idade, Escola Oficina, Escola Seta, Grupo União da Vitória - e divulgar os trabalhos realizados juntos à orgãos culturais e de ação social.
Já o espetáculo, considerado uma anti-peça por seu autor, o dramaturgo romeno Eugene Ionesco, é um marco do teatro do absurdo com sua narrativa ilógica, sem coerência alguma entre os diálogos, marcados por frases feitas e chavões que não possuem sentido próprio, revelando a total falta de comunicação, apesar da palavra.
Primeiro texto de Ionesco, considerado um dos principais ícones do teatro moderno, A Cantora Careca faz uma crítica à superficialidade do ser humano no mundo do pós-guerra, onde imperam a individualidade, a massificação e o consumismo. O espetáculo mostra um típico casal de ingleses de classe média, vivendo um cotidiano monótono. Ao receberem a visita de outro casal com as mesmas características, fica evidente que quanto mais falam, menos significa. O contraponto fica a cargo da empregada.
O Linha de Montagem percorre a angústia de Ionesco em deixar claro que quanto mais se fala, menos se entende, menos se explica. Eliminando os elementos racionais e lógicos, o grupo de propõe a estudar e mostrar a quebra da linguagem tradicional do Teatro do Absurdo. Pertencente ao Núcleo de Pesquisa Teatral do Teatro da Universidade Católica (Tuca) da PUC de São Paulo, o grupo, dirigido por Pablo Moreira, optou por uma abordagem atemporal de A Cantora Careca, sem referências geográficas ou temporais, utilizando a estilização como componente estético.
q 14 horas - Reunião com coordenadores dos projetos cênicos e autoridade, no Crystal Palace Hotel.
q 20h30 - Espetáculo A Cantora Careca, com o grupo paulistano Linha de Montagem, no Cine-Teatro Ouro Verde. Ingressos a R$ 8,00. Estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam R$ 4,00.


