Antônio Mariano Júnior
Londrina

Mario CésarCláudio Goldman lança seu primeiro disco pela RGE depois de ingressar no mundo artístico imitando os famososO nome dele é Gal. Quer dizer, já foi. Assim como ele poderia muito bem ser chamado de Elba Ramalho, Fagner, Cauby Peixoto, Simone, Guilherme Arantes, Freddie Mercury, Montserrat Caballe e outros e outras. Expliquemos: o moço ganhou uma certa projeção nacional, tempos atrás, imitando cantores e cantoras nacionais e internacionais. Agora, ele é apenas Cláudio Goldman, cantor (bom por sinal) e compositor que está lançando seu primeiro disco pela RGE. O trabalho vem ancorado na música ‘‘Estrela do Meu Céu’’, tema do personagem Júlio, vivido por Luciano Szafir, no remake global ‘‘Anjo Mau’’.
O disco, homônimo, é uma salada. Até o próprio Cláudio Goldman reconhece o ecletismo que toma conta das 13 faixas - vai das baladonas românticas, passando pelo rap e pelo reggae com direito a incursão pelo samba de enredo. É um trabalho popular. ‘‘Popular mas com qualidade’’ - frisa Goldman. E dentro dessa proposta ele tem toda a razão já que a direção e produção artísticas além dos arranjos são assinados pelo competente Sérgio Sá. Que por sua vez já arranjou e/ou fez canções para discos de Fábio Júnior, Simone, Fafá de Belém, Chitãozinho e Xororó, entre outros.

Mario César‘‘Disco tem reggae,
rap e samba.
É popular mas
com qualidade’’O carro-chefe do disco, claro, é ‘‘Estrela do Meu Céu’’. Mas outra faixa escolhida para ser trabalhada em rádios - motivo pelo qual Cláudio Goldman esteve por esses dias em Londrina e região - é a romântica ‘‘Longe dos Teus Olhos’’ (versão feita por ele para ‘‘Living Inside Myself’’). Porém, o disco traz algumas outras coisas interessantes.
Como o samba de enredo ‘‘Tudo Começou com a Maç㒒, recheado de picardia. Diz certo trecho: ‘‘A vida então perdeu seu paraíso/desse pecado o diabo surgiu/infernizando a humanidade/até que inventaram o Brasil’’. Outra boa surpresa é ‘‘Virou Areia’’, de Lenine e Bráulio Tavares. Por curiosidade, vale a pena também dar uma ouvida em ‘‘Soprannome Colibri’’, versão em italiano que Cláudio Goldman fez para ‘‘Codinome Beija-Flor’’(Cazuza-Ezequiel Neves-Reinaldo Arias).
‘‘Fagulhas, pontas de agulha’’ - O ingresso no mundo artístico, como se sabe, foi através das imitações de cantores famosos. Foi assim: em meados da década de 80, Gal Costa arrebatava o Brasil com sua ‘‘Festa do Interior’’. Achou ele que poderia se aproximar o máximo possível do timbre cristalino da cantora. E se aproximou. Daí, começou a fazer a mesma coisa com outros artistas. ‘‘Nunca me vi como um imitador. Imitador, para mim, é o Tom Cavalcanti. Eu pego pelo lado musical, não faço micagens nem trejeitos’’ - avisa ele.
E foi também através desta arte que Cláudio Goldman conseguiu algumas brechas, tais como cantor de jingles e até mesmo um contrato para se apresentar, durante oito meses, no Cassino Estoril, em Portugal. Aliás, há uma história curiosa de quando ele lá se apresentava: pelo fato de conseguir reproduzir vozes femininas, ele chegou, por dez dias, a substituir a cantora Nicola Railton que teve problemas vocais.
De volta ao Brasil, em 92, Cláudio Goldman, resolveu mostrar seu talento pela primeira vez no Bar Scandal, em São Paulo. Na platéia, estavam algumas pessoas da produção do programa que o cantor Ronnie Von mantinha na Rede Record na época. Gostaram. E o convidaram para se apresentar. ‘‘Aí começou o dominó: o Faustão viu, me chamou, aí veio a Hebe, o Clodovil, o Gugu, o Jô Soares...’’- lembra.
Com a projeção, passou a fazer shows pelo País afora. Só que o gosto de novidade foi se acabando com o tempo. ‘‘Depois de três anos só fazendo isso percebi que com a imitação não iria sair daquilo. Daí comecei a pensar em fazer um disco com a minha voz’’- comenta.
Ajuda global - Com a ajuda financeira da família, Goldman contratou Sérgio Sá para fazer arranjos para o disco. O que era para ser apenas uma relação comercial, acabou se transformando em amizade e até mesmo parceria musical - juntos assinam três faixas inéditas, fora algumas versões que alinhavam o disco.
Foram nove meses de estúdio. Com o disco praticamente pronto, começava também a romaria às gravadoras até que a RGE resolveu apostar no trabalho. ‘‘Mesmo que nenhuma gravadora quisesse, o disco sairia nem que fosse de forma independente’’ - conta. A força extra veio através de ‘‘amigos influentes’’ na Rede Globo que conseguiram convencer Mariozinho Rocha, responsável pelas trilhas sonoras das novelas, a incluir uma das faixas em ‘‘Anjo Mau’’.
Por contrato, Goldman poderá fazer mais um disco pela gravadora. Tudo vai depender, obviamente, da vendagem do atual. Que, pelo jeito, vai indo de vento em popa graças também à via sacra que o cantor e compositor vem fazendo às rádios, tvs e jornais do País. Os interessados nos shows de Cláudio Goldman podem entrar em contato pelo telefone (011) 277-4622.

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