Enfim, algo diferente!!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de abril de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Dia de desintoxicação musical depois de noitadas regadas a fartas doses de sertanejo e pagode, pagode e sertanejo. Hoje, a 38ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina dá um tempo no conhecido embalo musical para receber um dos grupos de rock, ou pop como queiram, que sempre teve e tem algo interessante a mostrar: Barão Vermelho, que se apresenta às 21h30, no Recinto de Shows e Rodeios João Milanez.
Diante de tal novidade na programação artística da feira, o show bem que poderia chamar-se Variar é Preciso. Mas, na verdade, chama-se Álbum, nome do mais recente disco do Barão Vermelho que traz releituras de pérolas da MPB e do pop brasileiro. Um trabalho fantástico em que o grupo conseguiu mostrar que sabe fazer algo mais que o rock básico. Resultado: disco de platina.
Do trabalho, o Barão - formado por Frejat (guitarras e vocais), Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarras), Peninha (percussão) e Rodrigo Santos (baixo) - vai mostrar uma ou outra coisa como Vem Quente Que Eu Estou fervendo (que virou até trilha sonora de comercial de chinelos), Jardins da Babilônia, Amor, Meu Grande Amor e Malandragem Dá um Tempo (aquela do vou apertar mas não vou acender agora).
É obvio e ululante, que Freja e cia. vão ter que tocar antigos sucessos como Bete Balanço, Pro Dia Nascer Feliz, Pense e Dance entre outros. Seria uma heresia não tocar. Portanto, a parcela do público mais saudosista pode ficar tranquila que Frejat e cia. não vão se esquecer do passado. Afinal, há relíquias fantásticas espalhadas nos outros 12 trabalhos anteriores a Álbum.
O fato é um só: o Barão Vermelho, mesmo com as incontáveis mudanças de integrantes (Frejat e Guto Goffi são os últimos dos moicanos da formação original), sempre esteve em evidência. É certo que alguns trabalhos passaram despercebidos ou simplesmente não traziam muita coisa de original. E eis que no ano passado, o grupo ressurgiu das cinzas e se reposicionou como bom vendedor de disco.
Vejam bem: são 17 anos de estrada. Logo no primeiro disco, em 82, o Barão Vermelho já chamou a atenção por trazer alguma coisa mais numa década em que houve um boom de grupos de rock. Havia nesse alguma coisa a mais, e isso é inegável, a figura e a poesia de Cazuza. Foram ganhando o Brasil pelas bordas. No auge, Cazuza resolveu seguir carreira solo e muita gente apostou que o Barão Vermelho iria morrer.
Não morreu. Frejat assumiu o vocal mas não desgrudou da guitarra. Como instrumentista e compositor, genial. Como cantor, bem, digamos que o moço dá conta do recado. Falta um pouco de molejo no seu canto. Isso, no entanto, é superado pela qualidade sonora que ele e os coleguinhas de trabalho imprimem em cada disco. E em tempos de (pseudo) clima country instaurado em Londrina, usemos um linguajar adequado:Vai assistir os menino que eles são bão, sô!.
Barão Vermelho - show hoje, às 21h30, no Recinto de Shows e Rodeios João Milanez, durante a 38ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. O ingresso da feira, vendido a R$ 5,00, dá direito ao show.


