Encontro reúne um craque do cinema e do futebol
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Nemesio Rodríguez<br> Agência Efe 
É difícil imaginar o que pode acontecer num encontro entre o cineasta americano Woody Allen e o artista da bola brasileiro Cafu, mas certamente aí há argumentos para mais de um filme.
Os dois, criadores de jogos de imaginação que admiram milhões de pessoas no mundo todo, se encontrarão no próximo dia 25 de outubro em Oviedo para a entrega do Prêmio Príncipes de Astúrias.
Já sabemos que o cinema é a ''sétima arte'', mas quando Pelé, Carlos Alberto, Zico, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho ou Roberto Carlos ''atuam'' nos palcos verdes do futebol, outro tipo de arte, que poderia ser a ''oitava'', com todo respeitos aos outros esportes, desperta a imaginação dos torcedores.
Quando a ''amarelinha'' vence, triunfa todo o povo brasileiro. Quando perde, o nível do Amazonas sobe com as lágrimas dos 170 milhões de habitantes do gigante sul-americano.
Em 25 de outubro, ao olhar atento do Príncipe Felipe de Borbón, o futebol e o cinema darão as mãos no teatro Campoamor, onde Woody Allen receberá o Prêmio de ''Artes'' e Cafu o de ''Esportes'', junto com os outros quatro capitães das seleções brasileiras que ganharam a Copa do Mundo.
É possível que o cineasta, apaixonado do basquete, se pergunte qual é o mérito dos cinco praticantes de um esporte que nos Estados Unidos é chamado de ''soccer''.
Pode ser que a resposta lhe sirva para montar um roteiro, afinal há elementos suficientes para mais de um filme.
Cafu pode contar-lhe que nasceu num bairro pobre da periferia de São Paulo, ''Jardim Irene'', um dos mais violentos da cidade, e que graças a uma bola se fez famoso e rico e que, em vez de guardar a riqueza para seu proveito próprio, criou uma fundação destinada a ajudar as crianças das ''favelas'' para que tenham um desenvolvimento social alternativo às drogas e ao crime.
É uma história para contar. Já vemos Roberto Carlos correndo pela lateral e cruzando para Pelé que, como um vento, engana a defesa rival e deixa para Ronaldo. Este, com um suave toque de bico, leva às favelas mais pobres do Brasil a importância de pertencer à seleção que mais ganhou Copas do Mundo.
O futebol não triunfa nos Estados Unidos, mas se tivessem nascido em Nova York Pelé, Carlos Alberto, Dunga, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos e muitos outros nomes, talvez o beisebol seria um esporte minoritário e Woody Allen estaria rodando nas ruas de Nova York essa história de crianças humildes que se fizeram ídolos e criadores de ilusões à base de delicados toques, descalços, com uma bola de meia, de papel ou de couro.
Allen, com certeza, perdeu muito por não ter nascido no Brasil.


