ENCONTRO MARCADO COM A MÚSICA
Simone Mattos
De Curitiba
Os sons da viola, do violino e da flauta se misturam no ar. A 18º Oficina de Música de Curitiba transformou os amplos corredores do Colégio Estadual do Paraná numa grande sala de ensaios. Sem fazer cerimônia, milhares de jovens vindos de diversas partes do mundo sentam no chão, nas escadas ou nos bancos do pátio interno. Sem se importar com quem está ao lado, cada um toca um instrumento, como se fizesse parte de uma inusitada orquestra.
Ao ar livre, num dos jardins do colégio, o paulista da cidade de Ourinhos, Frederico César, 14 anos, e o paraguaio de Assunção, José Pereira Bareiro, 15 anos, ensaiavam um duo de clarinete. Eles se conheceram nesta semana, durante uma das aulas da Oficina, embora aparentem ser velhos amigos.
Em comum, além da paixão pelo clarinete, ambos confessaram um amor à primeira vista por Curitiba. Esta cidade é linda, limpa e muito tranquila, bem diferente de São Paulo, comenta o paulista, que está hospedado na casa de uma prima.
O paraguaio, alojado na Casa do Estudante Luterano, conta que já passeou por Curitiba e achou a cidade grande e muito bonita, além de ter gostado muito das pessoas. A Oficina é ótima, bem melhor do que eu imaginava, dizem em coro.
A dois metros deles, o carioca Alexandre Mattioli, 21 anos, aproveitava o intervalo de suas aulas para praticar as últimas lições que aprendeu na viola. Ele e seis amigos vieram do Rio de Janeiro, pela primeira vez, para participar da Oficina. Hospedados no Albergue da Juventude de Curitiba, eles não tiveram ainda muito tempo para conhecer a cidade, já que passam a maior parte do dia no Colégio Estadual.
Sentado num banco próximo, sozinho, o tímido paraguaio Ruben Dario Jara Romero, 15 anos, tocava clarinete. Pertencente a uma família de músicos, ele já pratica há oito anos e atualmente integra a Orquestra Juvenil de Assunção. Ele e 12 conterrâneos seus estão em Curitiba, alojados na Federação Paranaense de Futebol.
Embora a Fundação Cultural de Curitiba tenha colocado ônibus à disposição dos alunos, para fazer o translado dos alojamentos ao Colégio Estadual e aos concertos noturnos e para visitar os pontos turísticos da cidade, a maioria não teve tempo para o lazer. Ainda pretendo conhecer bem a cidade e as praias próximas, mas por enquanto estou ficando direto nas aulas, diz Ruben.
Muito longe de casa, o adolescente Frederico Ricardo Alves da Costa, 15 anos, que mora em Natal (RN) confirma que passa o dia todo na oficina e que ainda não teve tempo de passear. Ele conta que foi difícil convencer seus pais e vir para Curitiba, devido a distância entre as cidades. Frederico e três amigos viajaram de avião e estão hospedados num hotel.
Matriculado no curso Método Suzuki de Violino, ele conta que teve muito medo de vir para a Oficina. Era tudo muito diferente para mim, eu tinha medo de errar nas aulas ou de que os professores fossem muito exigentes, comenta. A ambientação, entretanto, foi super rápida. Em Natal, Frederico tem aulas particulares de violino diariamente. Entre os seus compositores preferidos estão Bach e Mozart.
Na mesma sala de aula, a paraguaia Gladys Barreto, 41 anos, que dá aulas de violino para crianças em seu país, aprende o Método Suzuki. Quero trocar o método tradicional que aplico normalmente por este, justifica.
Mãe de quatro filhos músicos que ficaram em Assunção, ela confessa que se surpreendeu com Curitiba e com a Oficina. Pretendo vir todos os anos e trazer meus filhos para conhecer as praias daqui, comenta.
Entre o grupo de violinistas que estão matriculados no mesmo curso, há apenas um curitibano, o aluno mais novo da turma. David Liberalino Bahnke, 11 anos, toca violino há quase quatro anos e já participou das duas últimas edições da Oficina.
Minha mãe conta que foi para a maternidade ouvindo Vivaldi; segundo ela, desde bebê, eu já gostava de ouvir música clássica, explica David. Acho que eu nasci gostando disto, especialmente de Vivaldi, que é o meu compositor preferido, diz.
Cursando a 6ª série de um colégio de Campo Largo, município da Região Metropolitana de Curitiba, o jovem músico conta que já tocou para todo o colégio. Nunca vou deixar de tocar violino, afirma.
Ele elogia a Oficina e diz que é uma grande oportunidade de conhecer novos músicos. No ano passado, fiz amizade com um neo-zeolandês da minha idade, que aprendeu português durante a Oficina, diz ele. Conversando com os estrangeiros que conhece durante as aulas, David chegou a conclusão de que o mercado de violino no Brasil está muito bom. Está melhorando cada vez mais, tornando o violino um instrumento mais popular, comenta.Jovens do Brasil e do exterior reúnem-se na 18º Oficina de Música de Curitiba para estudar e trocar experiências
José SuassunaDavid Liberalino Bahnke, 11 anos, nasceu ouvindo Vivaldi e já participou de duas edições da Oficina de MúsicaJosé SuassunaFrederico Alves de Costa, 15 anos, veio de Natal para Curitiba especialmente para participar da OficinaJosé SuassunaA professora paraguaia Gladys Barreto, 41 anos, quer ensinar o Método Suzuki Para Violino para as crianças de seu país





