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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Dividir a trama em duas fases complementares é uma tática comum dos autores de novela. No entanto, Elizabeth Jhin quer levar isso a outro patamar com "Além do Tempo". Atual sucesso das 18 horas, a produção inova ao fazer da primeira fase não apenas um prólogo, mas uma novela completa, com início, meio e fim. E após 87 capítulos dos 65 previstos o folhetim faz a passagem para sua fase contemporânea a partir da próxima semana. "Minhas novelas são sempre contemporâneas e, eventualmente, olham para o passado para justificar atitudes atuais. Não quis reutilizar essa fórmula. Meu intuito foi criar duas tramas em uma, onde as vivências anteriores acabam interligando e definindo os personagens na segunda fase", conceitua a autora.
Embora a primeira parte tenha durado mais do que o previsto, Elizabeth garante que a boa audiência de "Além do Tempo" em torno dos 24 pontos de audiência não fará com que o fim da novela seja adiado. "Não seria possível alongar mais a história, isso tiraria a magia da trama. Vamos fechar com 161 capítulos e pronto", garante.
Se no século XIX a novela se passava na rural Campobello, a nova fase se desenvolve na emergente e interiorana Belarrosa, ambas cidades fictícias do sul do País. É nesse ambiente que a autora propõe um ajuste de contas entre os personagens.
Como se fosse possível ter outra chance para resolver complexos casos amorosos e desejos de outras vidas, Jhin volta a contar a história de amor entre Felipe e Lívia, de Rafael Cardoso e Alinne Moraes. Cerca de 150 anos depois, ele agora está casado e tem um filho com Melissa, de Paolla Oliveira, e acaba conhecendo ou reconhecendo Lívia em um encontro casual. "A vida de todos estava bem normal, até que essa troca de olhares fulminante traz todo o sentimento à tona. É uma história forte e lúdica", defende Alinne, já bem à vontade com o texto, os dilemas e os gestos mais contidos da "nova" Lívia. "O fato de ser atual deixa o papel mais próximo do ator", concorda Paolla Oliveira, que agora terá de ser mais econômica nas caras e bocas de sua aprendiz de vilã Melissa.
Para Rafael Cardoso e boa parte do elenco, a maior complicação das duas fases está em deixar para trás o tom mais teatral e coloquial utilizado nos capítulos de época e adotar gírias e gestual mais contemporâneo. "É um processo novo para todos da equipe. E está todo mundo muito estimulado. É uma novela que não tem monotonia", destaca.
Apenas duas semanas separam o fim das gravações da primeira parte da novela e o início dos trabalhos para a nova. Foi o tempo necessário para repaginar a caracterização e o figurino de todo o elenco. Algo que já vinha sendo pensando desde antes da estreia. "Não houve reaproveitamento de roupas, já que o vestuário é muito distinto de uma época para outra. Produzimos em torno de 30 peças por personagem, tudo contemporâneo, mas com a delicadeza do interior", destaca a figurinista Natalia Duran.
Feliz com a estética e as escolhas de ambas as fases, Elizabeth Jhin sabe que sua ideia deu trabalho para a produção, mas sinaliza que, muito mais do que subverter o formato, sua trama está a serviço da mensagem. "A novela muda, se atualiza, mas não perde o clima romântico. Afinal, o que importa em 'Além do Tempo' é mesmo a história de amor", ressalta Jhin.
Acerto de contas
Na segunda fase de "Além do Tempo", o amor de Felipe e Lívia retorna sem o desnível de classes sociais que marcou os primeiros capítulos. Ela agora é uma bem-sucedida empresária do ramo dos vinhos, enquanto ele é um humilde produtor na mesma área. "Felipe surge sem muita ambição. Aquele tom heroico desaparece, ele não gosta tanto da sua vida atual. Mas mudar isso requer força e motivação", resume Rafael Cardoso.
Além do casal principal, outras fortes ligações da trama são retomadas de forma dramática. A principal envolve o trio Vitória, Zilda e Amélia, personagens de Irene Ravache, Nívea Maria e Ana Beatriz Nogueira, respectivamente. "Minha personagem aprontou muito no Século XIX, acho justo que ela pague pelos seus erros nesta outra vida. Ela não mudou muito, mas agora está em situação desfavorável", explica Irene. Algoz de Amélia, com quem seu filho Bernardo, de Felipe Camargo, teve um caso de amor, Vitória surgirá como a mãe falida e errante da personagem de Ana Beatriz Nogueira. "A Amélia de agora não quer saber de ser boazinha. Ela é revanchista e tem uma péssima relação com a mãe", resume Nogueira.
Depois de passar boa parte da novela sendo maltratada por Vitória, Zilda é outra que terá chance de acertar suas contas com a megera. Antes empregada e patroa e agora cunhadas, a personagem de Nívea Maria vai abrigar Vitória, mas deixará bem claro que ela mora em sua casa de favor. "É um verdadeiro 'aqui se faz aqui se paga'. Acho que essa possibilidade de troca e redenção aguçará bastante o telespectador. O pouco que sei já me deixa muito curiosa sobre o destino das personagens", analisa Nívea. (G.B.)


