Giovanna Antonelli é dona de uma presença marcante. E a atriz sabe bem como tirar proveito disso para as personagens que interpreta. Tanto que, seja como mocinha ou na pele de um papel secundário, ela consegue se destacar nas tramas em que atua. O caso mais recente foi "Salve Jorge" como a delegada Helô.
Mas foi a Capitu, de "Laços de Família", que serviu como um "divisor de águas" nesse sentido. A partir da trama escrita por Manoel Carlos em 2000, Giovanna viu sua carreira deslanchar. Não é de se admirar que ela tenha aceitado o convite para "Em Família" sem nem saber do que se tratava seu papel. Quando, depois de alguns meses, conheceu o perfil de Clara, ficou ainda mais encantada com o trabalho.
Na trama, a personagem é casada com Cadu, de Reynaldo Gianecchini, com quem teve um filho. Mas Clara acaba se apaixonando por uma outra mulher. "Ela tem uma sinceridade e uma pureza verdadeiras. A personagem me traz novas investidas como atriz e a possibilidade de mostrar mais uma faceta", avalia, empolgada.
Desde que estreou nas novelas, em 1994, como a Benvinda de "Tropicaliente", Giovanna se mantém no ar com frequência. A grande maioria de seus trabalhos se concentra na Globo. Entre eles, destacam-se "O Clone", de 2001, "A Casa das Sete Mulheres", de 2003, "Viver A Vida", de 2009 e "Aquele Beijo", de 2011, entre outros. Mas, no início da carreira, ela atuou em "Tocaia Grande" e "Xica da Silva", ambas da extinta Manchete. "Todo trabalho nos ajuda a subir um degrau em nossa carreira e nos traz experiências. Tive a oportunidade de trabalhar com dois mestres: Régis Cardoso e Walter Avancini. Uma escola pela qual todo ator deveria ter a chance de passar", ressalta.

Clara, uma mulher casada e com filho, vai se apaixonar por outra mulher, a fotógrafa Marina, de Tainá Müller. O que mais chamou sua atenção na personagem?
Acho que Clara vem com uma história bem intensa. Teremos bons conflitos, no sentido de dramaturgia mesmo. E socialmente falando também porque podemos trazer um tema atual e que acabou de ser discutido em "Amor à Vida", o homossexualismo. Depois dessa novela, que as pessoas tratem isso de uma forma natural, que caiam todos os tabus.

"Amor à Vida", inclusive, levou ao ar o primeiro beijo entre dois homens da teledramaturgia brasileira. Como você lida com a possibilidade de protagonizar um beijo de amor com a personagem de Tainá em cena de "Em Família"?
Quando foi divulgada essa história de a personagem ser gay, gerou uma polêmica em torno disso. As pessoas me perguntam se vai ter beijo, se não vai ter. Se a gente for pensar, o beijo é o de menos. Se tiver de ter beijo gay, vai ser incrível, a gente vai fazer com o maior amor. Mas o meu desafio como atriz é fazer com que o público veja uma história de amor, independentemente de ser entre um homem e uma mulher, entre duas mulheres ou entre dois homens. Eu quero contar uma história de amor, quero que as pessoas olhem para a Marina pela primeira vez como a Clara vai olhar e sintam aquele arrepio como a Clara vai sentir.

Entre novelas e filmes, esta é a quinta vez que você faz par romântico com Reynaldo Gianecchini, de quem você também declara ser amiga. Essa proximidade com pessoas do elenco facilita seu trabalho?
Graças a Deus, ao longo da minha carreira, sempre tive parceiros incríveis nas novelas. O Giane é muito meu amigo dentro e fora do trabalho. Não sou uma atriz que trabalha egoistamente, só para mim. Eu preciso dos meus parceiros que me ajudam a compor minhas personagens também. A Tainá, eu conheci agora. Mas ela tem uma qualidade, que admiro muito no ser humano, de estar aberta, disponível, de querer entrar de cabeça mesmo na personagem, essa coisa intensa. Trabalhar com gente assim me ajuda muito a trocar, que é o que eu gosto.

Hoje, com uma carreira consolidada, como você lida com a fama?
Minha relação é muito saudável. Considero-me uma pessoa tão comum que, às vezes, até nem me dou conta da fama. É muito louco! (risos).

E como você se recicla como atriz entre uma personagem e outra?
Estou sempre em busca pessoal e profissional. Leio, viajo, observo, busco cultura, me alimento de informação, assisto a coisas. Curto minha vida, amigos, me dedico à família. Acredito que o ócio também é criativo. Dessa forma, vou me reciclando, me transformando.

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