Encontro improvável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O amor e o ódio fazem parte da mesma atmosfera em que personagens, como os de ''Cadela de Vison'', flutuam, respirando o ar, por vezes, contaminado. Na peça da companhia de São Paulo, Teatro Promíscuo, em única apresentação amanhã no Festival Iternacional de Londrina (Filo), no Teatro Ouro Verde, um encontro improvável coloca em xeque esses e outros sentimentos.
A tragicomédia apresenta o ator Renato Borghi, autor do texto, que faz parte de uma trilogia iniciada por ''Lobo de Ray-Ban'', sucesso em 1987, com Raul Cortez e Christiane Torloni. Um ponto em comum entre as duas peças é a discussão sobre identidade sexual.
Ao completar 50 anos de teatro, Borghi escreveu o texto que conta a história de um ator com mais de 30 anos de carreira, que teve a sua casa de apresentações condenada por um motivo misterioso. Num teatro decadente, prestes a ser demolido, o ator ''Sandro'' é surpreendido pela aparição de uma cantora, que amou na infância, morta há mais de 15 anos.
A mulher misteriosa é interpretada pela sobrinha de Borghi, Luciana Borghi.
A aparição pode ser apenas um delírio do personagem ou, talvez, o ator e a cantora sejam a mesma pessoa. Borghi escreveu o texto, depois de visitar uma exposição de Munch. Entre os quadros,o auto-retrato do pintor com o título,''A Cantora'', o inquietou.
Dirigido por Elcio Nogueira Seixas, que também está no elenco, e a direção musical de Rogê, a peça reúne, no personagem Sandro, a admiração de Borghi por algumas mulheres como Dalva de Oliveira, Cacilda Becker, Vivien Leigh e Elis Regina.
Ao completar 50 anos de carreira, Borghi representa uma síntese dos principais movimentos teatrais brasileiros, sendo um dos fundadores do Teatro Oficina, em 1958, grupo da vanguarda teatral.


