Encontro e celebração
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para Folha 2 
Em maio aconteceu um momento histórico para a música brasileira e até mundial. Durante a turnê que George Benson fez pelo Brasil ele conheceu e ouviu a música de Toninho Horta, num encontro com muita emoção e admiração mutua. Os dois se uniram para gravar um novo álbum de Benson, que promete ser histórico. O trabalho terá apenas músicos brasileiros de alto calibre, entre eles o multiinstrumentista Arismar do Espírito Santo, o trombonista Raul de Souza e o baixista Arthur Maia.
A parceria entre Benson e Horta surgiu durante a recente turnê que o guitarrista norte-americano realizou no Brasil. Ele não conhecia a música de Toninho e, depois de ouvi-lo tocar violão, resolveu que era hora de gravar um disco no Brasil, pois havia encontrado a pessoa certa para realizar a produção musical do CD. ''Eles tocaram durante toda a madrugada no lobby do hotel'', conta Forest Sprague, produtor e amigo de Benson. ''Foi muito emocionante, Toninho começou a chorar de felicidade, pela forte conexão que aconteceu entre os dois''.
O mineiro Toninho Horta tem mais de 30 anos de carreira, 23 CDs gravados e um currículo que conta com centenas de participações em trabalhos de grandes nomes da música brasileira, como Milton Nascimento, Dominguinhos, Gal Costa, entre outros. Seu trabalho é rico em melodia, harmonia além da ginga brasileira que lhe dá uma enorme vantagem comparado a músicos estrangeiros.
Nascido na cidade de Pittsburg, em 1943, Benson começou a tocar violão com 5 anos, substituindo-o logo depois pela guitarra, aos 8. Já como profissional, nos anos 60, conseguiu galgar seu espaço no concorrido mercado de jazz americano ganhando o respeito de ícones como Herbie Hancock e Wes Montgomery. Benson é um cantor fascinante e um dos mais virtuosos e versáteis instrumentistas de jazz. É a quarta vez que o músico vem ao Brasil, a primeira vez foi no Rock in Rio I, em 1985. Desde então, apaixonou-se pelo público e como não poderia deixar de ser, pela música brasileira.
Parte desta paixão pela música de nosso País está retratada em sua discografia. Em um de seus álbums mais populares o 'Give Me The Night', de 1980, ele gravou 'Dinorah' e 'Love Dance' ambas composições de Ivan Lins. O favor foi retribuído quando Lins o convidou a tocar guitarra em seu disco Juntos de 1984.
Entre as músicas registradas por George Benson, com Toninho Horta ao violão, estão 'Tanta Saudade' (Djavan/Chico Buarque), 'Amazonas' (João Donato), 'Aquarela do Brasil' (Ary Barroso), 'Unforgettable' (Irving Gordon) e Sailing (Christopher Cross). No estúdio Mega.
Quando perguntado o que o atraiu para a música brasileira? Benson respondeu:
''É um estilo que celebra a vida brasileira. Tom Jobim colocou o Brasil no mapa no exterior, mas essa vibração já existia no Brasil antes dele. Por meio da música, os brasileiros celebram suas vidas, o sol, o ar, o mar... São pessoas abençoadas, porque há muita beleza natural no Brasil. A música brasileira reflete tudo isso: o verde, o oceano, as praias, o Amazonas. Quando alguém vem para cá, fica impregnado de uma atmosfera que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Quando vim aqui pela primeira vez, para fazer o Rock in Rio, em 1985, senti esse clima e percebi de onde vinha a música brasileira e do que se tratava. Fora do Brasil, as pessoas cantam sobre coisas ruins, tragédias; os brasileiros cantam sobre coisas alegres, e isso é algo que me agrada muito, pois sou um cara feliz por natureza. Minha música é sempre sobre felicidade, não lido com o lado ruim da vida. Por isso sinto tanta afinidade com a música brasileira. Além disso, a harmonização aqui é diferente. Parece que aqui os músicos entram profundamente nos acordes, coisa que os americanos não fazem.''
Agora é só esperar para ver o resultado final desse trabalho que é uma celebração e uma união de duas culturas, calcado na experiência e boa forma dessa junção de músicos, brasileiros e estrangeiros.
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