DivulgaçãoRecife vai sediar o 26º Congresso da ABAV: a espera de 12 mil visitantesCerca de 500 empresas de todo o mundo, representadas por 60 delegações internacionais, participarão da 26ª edição do Congresso Brasileiro de Agências de Viagens e Exposição de Turismo (ABAV 98), de 21 a 25 de outubro, no Recife. O objetivo do encontro é ajudar a acabar com a informalidade do mercado e dar maior proteção ao setor. Os expositores somam 248, e espera-se a presença de pelo menos 12 mil visitantes. A previsão de negócios é de US$ 20 milhões.
Segundo o presidente da Abav, Goiaci Alves Guimarães, a necessidade de profissionalização se dá sobretudo nas relações comerciais entre as agências e seus fornecedores - hotéis, transportadoras aéreas, rodoviárias, aquaviárias, locadoras de automóvel, empresas de lazer, seguro. O objetivo é evitar que as agências venham a ser processadas por cobranças que nem sempre cabem a elas.
‘‘Cabe à agência a responsabilidade pela indicação de um produto, mas não é ela que deve ser processada se o avião atrasar ou se houver algum problema com o hotel’’, frisou Guimarães em uma entrevista coletiva de apresentação do congresso, no Recife. ‘‘Somos gerentes de produtos de terceiros’’.
O primeiro passo já foi dado pela Embratur, que passou a exigir contratos formais, através da Portaria 393 de 07/07/98. Agora, o congresso, que terá como tema ‘‘O papel das agências como gerenciadoras na indústria do turismo’’, avança um pouco mais. Além de discutir o assunto, vai lançar um Guia Empresarial com modelos de garantias contratuais. Guimarães também defendeu o recadastramento das agências de viagens como uma forma de moralizar o setor. Segundo ele, há 16.800 agências cadastradas, mas pelo menos metade não existe mais. O levantamento já foi iniciado com as 1.700 empresas associadas à Abav.
Guimarães avaliou positivamente a nova política tarifária que provocou um aumento de 43% na emissão de bilhetes aéreos no primeiro semestre deste ano. Embora a receita média das agências tenha caído 1,6% neste mesmo período, ele garantiu que a guerra dos preços não prejudicou os negócios do setor. ‘‘O futuro das agências, seja no Brasil ou no mundo, pressupõe a capacidade profissional de superar o desafio de aliar custos baixos, bons preços e qualidade’’, reiterou.
Guimarães apontou como um benefício da nova política de tarifas o número crescente de passageiros ‘‘de primeira viagem’’, o que alarga as expectativas de clientes potenciais. Em junho, de cada seis pessoas que embarcaram, uma o fazia pela primeira vez. Esse fato merece, segundo ele, a atenção do setor, que deve se adaptar às novas necessidades. Entre as mudanças necessárias, Guimarães destaca a popularização da linguagem e a desmistificação do transporte aéreo. ‘‘A curto e médio prazo, o grande nicho de negócios são as classes C e D’’, garante.
Tampouco ele acredita que a política tarifária vá causar fechamento de companhias aéreas. ‘‘Se isso ocorrer, será porque a empresa já não ia bem, já enfrentava problemas antigos’’, observou.
O presidente da Abav declarou-se a favor da fixação de um local para sediar o congresso. A medida, na sua opinião, cria tradição internacional e evita o ‘‘monta-desmonta’’ a cada ano, além de reduzir custos. Goiaci Guimarães disse que atualmente apenas São Paulo e Rio teriam condições de serem Estados-sede do congresso, mas daqui a um ano vários Estados do Nordeste, além de Minas e Santa Catarina também estariam aptos.

mockup