Este ano, grande parte dos integrantes de fora de Londrina que participam do Festival Unicanto de Corais estão na Casa de Encontros e Retiros Emaús, entre um cochilo e outro, uma escapada para um passeio na cidade, um ensaio para afinar os últimos detalhes, uma conversa com integrantes de outro grupo. "Desta vez, conseguimos um espaço para que todos ficassem juntos. Este é o sentido do canto coral e de um festival, que é o de promover a integração e a troca de experiências. Não se trata de uma competição, mas de um evento para que todos mostrem o seu melhor, sua mensagem. Subir ao palco para uma plateia cheia é a consagração de todo trabalho", diz o diretor artístico José Mario Tomal.

Enquanto uns grupos possuem uma vertente mais erudita, outros têm um repertório calcado no folclore de vários países. Há espaço, também, para a música popular, regional, religiosa. Cada um à sua maneira, abusa da criatividade, do ritmo, da performance, acompanhados de instrumentos ou a capella, somente com as vozes. "A música é uma forma de expressão muito forte, é uma linguagem universal, e o festival tem esse poder de mostrar a diversidade. Ao mesmo tempo em que todos os grupos falam a mesma língua, apresentam suas particularidades e diversidades de línguas, culturas e influências. Isso é o que torna a música e o canto coral tão especiais. E o melhor: a voz é instrumento que todos temos de graça."

OLHAR PELO OUTRO
Quem participa dessa experiência de canto coral garante que não há nada mais gratificante e recompensador. "É uma experiência que nos possibilita enxergar e aceitar as diferenças. É olhar para o outro e compreender seu modo de vida, sua cultura e conviver em harmonia. Em todos esses anos, aprendi muito, seja tecnicamente ou sobre o ser humano. No palco eu canto samba, música de macumba ou regional com a mesma entrega", diz Nalva Ferreira analista judiciária do Supremo Tribunal de Justica, integrante do Coral de Brasília, que acumula trinta e cinco anos em canto coral. "Comecei aos treze anos na escola, para fugir das aulas de Educação Física. E, desde então, nunca mais parei. Já participei de vários grupos, cada um com um estilo", lembra.

Das experiências mais marcantes, a coralista recorda-se da primeira viagem em grupo e de uma música em russo, a qual teve de estudar muito para pronunciar as palavras. "O canto coral nos coloca frente a vários desafios como cantar com timbres diferentes, divisão de vozes, respiração, outras línguas. Ganhamos uma consciência corporal muito grande." Depois de mais de três décadas, ela acredita que muito de seu equilíbrio emocional esteja calcado no poder da música. "Toda forma de manifestação da arte propicia um prazer que reflete em nossa vida. Sem falar nas amizades que fazemos ao longo do caminho, as pessoas que conhecemos nos festivais. Participar de encontros nos permite aprender ainda mais com o outro e sua maneira de fazer."

Diretamente da Argentina, o professor primário Hugo Skupien, é mais um entusiasta de canto coral. Começou aos 22 anos, sem qualquer vivência anterior, e, hoje, é um dos responsáveis pelo Coro Municipal de Puerto Iguazú que congrega integrantes de várias idades, do infantil ao adulto. "O canto coral tem essa magia de reforçar vínculos de amizade pela experiência de unir sua voz com a de outras pessoas. A música é uma linguagem que transcende as relações políticas ou religiosas. São valores e aprendizados que levamos para a vida", diz ele, pontuando aspectos como socialização, disciplina e comprometimento. Além deste coral, Skupien dirige mais de 20 quilômetros para participar em outra cidade, no país vizinho, Paraguai, e outro grupo em Foz do Iguaçu. "É a música na tríplice fronteira. Cada uma com sua característica" - conclui.



ÚLTIMAS APRESENTAÇÕES
Depois de cinco dias de programação, a edição do Festival Unicanto de Corais deste ano chega ao fim, neste sábado (5), com mais uma noite repleta de grupos vocais e corais. A partir das 20 horas, no Teatro Marista, apresentam-se Associação Coral Unicanto, de Londrina; Associação Coral de Criciúma, de Criciúma (SC); Coral Cantabile, de Guarulhos (SP); Coral Amaranto, de Quito (Equador); Coral Brasília, de Brasília (DF); e Coro Municipal de Puerto Iguazú (Argentina). Antes, porém, na programação paralela, às 10 horas, haverá a Celebração Litúrgica, na Igreja Nossa Senhora das Graças, com vários corais participantes. Passaram pelos palcos integrantes de grupos de vários estados e países. O festival acontece há 22 anos na cidade com uma média de 25 grupos por ano.

Serviço:
Celebração Litúrgica
Quando: sábado (5), às 10 horas
Onde: Igreja Nossa Senhora das Graças (Rua Luís Dias, 393)
Quanto: Gratuito

Encerramento Festival Unicanto
Quando: sábado(5), às 10 horas
Onde: Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 243)
Quanto: Gratuito

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