Cidade do Cabo - Uma visita ao Cabo da Boa Esperança, na Cidade do Cabo, lembra ensinamentos de história e geografia, numa paisagem de tirar o fôlego. Situado no extremo sul do continente africano, descoberto pelo navegador português Bartolomeu Dias, em 1487, chegou a ser chamado de Cabo das Tormentas, por ter sido dobrado após dias de tempestade. Mas o rei português João II chamou-o de Boa Esperança, por estar no desejado caminho para as Índias.
É popularmente conhecido como ponto de encontro dos oceanos Atlântico e Índico. Isso não é perceptível na cor da água ou em qualquer característica física. Na verdade, geograficamente, os dois oceanos se encontram perto dali, no Parque Nacional das Agulhas. Mas se sabe que ali estão os dois oceanos, uma esquina do mundo, como definem os navegadores. Pisar nessa pontinha do planeta é bem emocionante.
O Parque Nacional Table Mountain, onde está o Cabo da Boa Esperança, tem 7.750 hectares de reserva natural e 40 quilômetros de costa, de oeste a leste. Tem babuínos, zebras, lagartos e, de junho a novembro, é possível avistar baleias na False Bay, a Baía Falsa. O folheto do parque anuncia que 250 espécies de pássaros vivem ali e que existem cem plantas nativas, incluindo a exótica Fynbos.
Para ir e voltar são cerca de 150 quilômetros. Quem não quiser dirigir pode optar pelos pacotes de meio dia ou de dia inteiro oferecidos pelas agências de viagem locais os guias e folhetos podem ser encontrados no aeroporto (no setor de informações turísticas) ou nos hotéis.
Também não é difícil seguir dirigindo. Há pedágios no caminho, e a entrada no parque também é paga. Já dentro da reserva, em minutos chega-se a uma das áreas de estacionamento, indicadas por funcionários. Cobra-se também pelo trajeto de funicular até o mirante de onde é possível ver os dois oceanos. O mirante está 214 metros acima do nível do mar. Pode-se ir a pé até o topo. A caminhada leva cerca de 20 minutos e exige fôlego.
O rio está a 6.055 quilômetros dali, segundo uma das plaquinhas colocadas ao lado do antigo farol, num mirante. São várias as indicações de cidades e distâncias, o que faz com que pessoas do mundo todo saibam para que lado estão suas casas.
O vento pode ser muito, mas muito forte mesmo, daqueles em que ''até vaca voa'', segundo boa definição do velejador bicampeão olímpico Torben Grael, que entende bem de vento. Sempre, em todos os lugares a que se for na Cidade do Cabo, mesmo com o sol quente do verão, deve-se levar um agasalho por causa do vento.
O parque conta com locais para piqueniques, churrasco (são muitos os alertas contra incêndio), mirantes para que o visitante tente ver golfinhos e baleias, locais para mergulho (um mapa indica áreas com barcos afundados) e para banho, trilhas e serviços como restaurante, lojinha e banheiros. O local pode ser explorado a cavalo ou de bicicleta também. É bom que se diga que o parque é enorme e qualquer dessas atividades exigirá bastante tempo.
Engraçadas são as placas: ''Cuidado, os babuínos são perigosos e atraídos por comidas''. Os macacos, no entanto, são um dos destaques do local e frustram o visitante quando não aparecem - sob sol muito forte, por exemplo. São, aliás, muitas vezes os responsáveis por paradas no trânsito. Os babuínos que moram na reserva cortada pela rodovia são macacos espertos que procuram comida nos porta-malas dos carros.
Na volta, em direção a Simon's Town, vale uma parada em Boulders Beach, a praia dos pinguins africanos. Os turistas vão encontrar até mesmo ninhos e ovos. Para quem estranha ver os animais passeando nas pedras durante o verão, os moradores explicam que a água é sempre muita fria, em torno de 12 graus, mesmo nessa estação. O engraçado são os avisos nas placas: ''Antes de sair, olhe em baixo do carro para ver se não há pinguins''.

SERVIÇO:
O Parque Nacional Table Mountain abre das 6 às 18 horas, de outubro a março; e das 7 às 17 horas, de abril a setembro. Mais informações: (00--27-21) 701-8692; www.tmnp.co.Za.

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