Encontro de grifes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de abril de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
O enredo de ''Uma Noite Fora de Série'' é manjado: pessoas comuns são confundidas com elementos perigosos e passam a ser perseguidas por seus inimigos. O que chama a atenção, aqui, é a dupla de protagonistas, formada pelas maiores grifes da comédia americana na atualidade. Campeões de indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro nos últimos anos, Steve Carell e Tina Fey unem forças pela primeira vez num filme à primeira vista irresistível.
Carell (''O Virgem de Quarenta Anos'', ''The Office'') e Fey (''Saturday Night Live'', ''30 Rock'') vivem Phil e Claire Foster, um típico casal suburbano e careta do cinema ianque. Desdobram-se para cuidar dos filhos, organizar a casa e manter seus empregos chatíssimos em Nova Jersey. Quando sobra algum tempo, obrigam-se a sair sozinhos, na esperança de preservar o romantismo. Mas mesmo esses programas são burocráticos e repetitivos.
Certa noite, num impulso, Phil se cansa da monotonia e decide levar a mulher para jantar num dos restaurantes mais baladados de Manhattam. Sem ter feito reserva, os Foster se passam por outro casal, os Tripplehorn, e se esbaldam de tanto comer e, principalmente, beber. Até que são abordados por dois capangas em busca de um pen drive carregado com arquivos comprometedores. Como era de se esperar, os verdadeiros Tripplehorn são malandros chantagistas que estão sendo caçados pela máfia.
Começa então um jogo de gato e rato, com os Fosters fugindo dos bandidos ao mesmo tempo em que procuram o tal pen drive para salvar sua pele. E assim o programa romântico se transforma numa incursão pelo submundo de Nova York - com direito a tiroteios, strip tease e muitas perseguições automobilísticas. Aliás, são tantas sequências de ação que o principal apelo da produção - a comédia - é deixado de lado.
Com exceção de uma ou outra piada, e da participação especial hilária de Mark Wahlberg, ''Uma Noite Fora de Série'' simplesmente não tem graça. O diretor Shawn Levy até que se esforça para explorar o subtexto conjugal da história, mostrando, por meio de pequenos detalhes, o perfil do casal. Mas o filme carece de gagues, a exemplo de seus outros trabalhos, que nunca levam às gargalhadas (como ''Uma Noite no Museu'', ''Doze é Demais'' e ''A Pantera Cor de Rosa''). Para quem espera chorar de rir no cinema, a parceria entre Carell e Fey é um tremendo balde de água fria.


