Encontro de gigantes
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sábado, 10 de agosto de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O debate entre os candidatos a governador deve concentrar grande audiência na Band hoje à noite. Mas quem perder a paciência com o blablablá dos políticos, pode sintonizar a Cultura e dividir a indignação com Antônio Abujamra, cujo programa ''Provocações'' comemora dois anos, hoje, trazendo uma entrevista especial com o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa.
''Provocações'', exibido às 22h30, faz juz ao nome. É um dos programas mais estimulantes atualmente no ar na televisão brasileira. Consiste de entrevistas com personalidades, entremeadas com depoimentos de anônimos colhidos na rua e trechos de obras literárias. O arco de temas abordados inclui sociedade, cultura, educação, comportamento e vida brasileira.
Para marcar esta edição de aniversário, Abujamra convidou José Celso, a cabeça e a alma do Teatro Oficina. No programa, o polêmico diretor relembra capítulos importantes de sua trajetória à frente do grupo que revolucionou o teatro brasileiro nos anos 60. Seu primeiro grande sucesso foi a montagem ''Os Pequenos Burgueses'', de Górki, com a qual o Oficina ficou sete anos em cartaz, com algumas interrupções.
Depois seguiram-se as bem-sucedidas peças ''O Rei da Vela'', ''Roda Viva'', ''Galileu Galilei'' (que estreou no dia em que foi decretado o AI-5) e ''Na Selva das Cidades''. No anos de chumbo, Zé Celso foi mais uma das vítimas da truculência militar. Em 1974, foi levado de seu apartamento para o pau-de-arara no Doi-Codi ficando dois meses numa solitária.
A acusação era de que ele teria escondido um integrante da organização terrorista ALN. Libertado, foi para o exílio, retornando ao Brasil quatro anos depois. Em 1979, reabriu o Oficina com as montagens ''25'' e ''O Parto''. Entre os trabalhos mais recentes figuram ''Ela'', de Genet; ''Bacantes'', de Eurípedes; ''Cacilda'', sobre a vida da atriz Cacilda Becker; ''Boca de Ouro'', de Nelson Rodrigues; e ''Esperando Godot'', de Becket.
Durante a conversa com Abujamra, José Celso analisa escritores, destacando Euclides da Cunha, autor de ''Os Sertões''. Diz que a montagem desta obra é seu novo desafio, assinalando que a preservação da linguagem literária do texto é até agora a única definição do projeto, que não tem data de estréia e nem número fechado de participantes.
As provocações continuam.


