ENCONTRO DE GERAÇÕES - Lição do dia: aprender a amar e respeitar os mais velhos
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Escutar os mais velhos, aprender com a experiência deles e se divertir com as histórias que eles contam foi a grande lição vivenciada pelos alunos da Escola Educativa de Londrina, na última sexta-feira, quando prestaram uma homenagem a alguns idosos do Grupo da Terceira Idade do Sesc/Londrina. No sábado comemorou-se o ''Dia Nacional do Idoso''; amanhã, tem mais festa no ''Dia Internacional do Idoso''. Pela primeira vez eles vão poder comemorar a aprovação do ''Estatuto do Idoso'', que estabelece a garantia de vários direitos.
Nem parecia sala de aula. Era quase um dia de domingo na casa da vovó, aliás, de muitas vovós, que participaram de várias atividades com crianças de 2 a 10 anos. As crianças tiveram a oportunidade de fazer entrevistas, brincar com eles, tomar o mesmo lanche juntos e até dançar. A programação da festa incluiu apresentação de dança do ventre, feita pela vovós e coreografias das crianças. Ramalhetes de flores, cartões com mensagens carinhosas e muitos sorrisos também fizeram parte da tarde festiva.
''A idéia do projeto foi trabalhar a questão do respeito aos idosos e nada melhor do que proporcionar a troca de experiências entre eles e as crianças. Uma forma também de resgatar valores que precisam ser preservados'', comentou a coordenadora pedagógica Michelle Brambilla Kozuki.
Não faltou assunto durante o ''bate-papo de gerações''. As crianças descobriram que antigamente as brincadeiras eram outras: bolinha de gude, bonecas de pano, de milho verde, e petecas com penas de animais fizeram a diversão na infância dos seus avós. Elas também ficaram admiradas ao saber que antes não existiam sanduíches ''McDonald's'' e que a escola era mais rígida, com castigos cumpridos na sala de aula. O fato de as escolas não terem parquinhos chamou ainda mais a atenção dos pequenos.
Temas delicados como a morte e o processo de envelhecimento não deixaram de ser conversados. Como sempre, ao se tratar de assuntos sérios com criança, o que valeu foi a naturalidade das explicações.
O aluno Miguel de Souza Bombonato, 7 anos, estava contente com a visita. Contou que nunca se imaginou velho, mas que não tem medo de que isso aconteça. ''É bom ser criança porque a gente pode brincar, mas ser velho também pode ser legal por poder ficar mais tempo em casa'', disse.
A aposentada Sophia Creucius Kozuki, 66 anos, achou gratificante a oportunidade. ''Precisamos reeducar as crianças para que elas não nos tratem mal no futuro. É importante ficarmos mais próximos. Assim elas vão aprendendo que nós também temos direitos, como lugares preferenciais em ônibus e filas''. Segundo ela, o preconceito é maior entre os jovens de 15 a 20 anos. ''Eles agem como se nunca fossem envelhecer'', reclamou a aposentada. Relembrando a época em que era criança, Sophia disse que quando observava a mãe, então com 30 anos, parecia que iria demorar muito para que ela mesma chegasse a essa idade: ''Agora já tenho mais que o dobro disso, passei por um monte de coisas, como um câncer na mama e continuo tendo muita alegria de viver. O negócio é saber envelhecer'', concluiu, abrindo um sorriso.
Por falar em respeito, a aluna Ana Luiza Ribeiro Rodrigues, 8 anos, não se conforma em ver a personagem ''Dóris'', da novela ''Mulheres Apaixonadas'', maltratando os avós: ''me dá tanta raiva de ver aquilo que tenho vontade de destruir a televisão. E o duro é que deve ter muita gente que faz isso'', desabafou.
Na sala da quarta série, os alunos se emocionaram ao receber a visita de tantas ''vovós''. Bruno Formigare, 10 anos, comentou que inteligência não tem idade e que aprendeu que a receita de uma velhice saudável é começar a se cuidar cedo. ''Quero alcançar 100 anos, ser um velhinho bem-humorado e acho que vou ter que usar aparelho para poder escutar'', afirmou. ''Tem gente que pensa que as pessoas mais velhas são 'bobas', mas eles são inteligentes e sábios, por causa da sua grande experiência de vida'', destacou. O colega de sala Geraldo Negro concorda: ''É legal observarmos o que eles já passaram. Podemos aprender muito com isso e ser felizes também. A gente não deve ter medo da velhice. É parte natural da vida.''
Para a professora de filosofia Nanci Mello Gonçalves, um dos pontos mais importantes da atividade foi ajudar as crianças a refletir sobre a velhice e a sua relação com o tempo atual de vida. ''Com a aproximação, podemos aprender a amar os idosos que também ajudam as crianças a perceber a importância das atitudes que tomamos na vida e suas consequências'', ressaltou. A temática dos idosos começou a ser trabalhada com os alunos desde abril e incluiu pesquisas sobre os direitos das pessoas na terceira idade, discussão sobre maus-tratos e medidas preventivas de saúde.


