Encontro de extremos
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de junho de 2008
Raquel Cozer<br> Folhapress 
Um é gaúcho, de fala rápida, mas econômico nas palavras. O outro, recifense, nascido 3.636 km ao norte da Passo Fundo natal do primeiro, está mais para verborrágico, embora nem sempre diga muita coisa.
Criado entre milongas e tangos dos pampas, o primeiro nem era nascido quando o segundo, especializado no berimbau, já sabia percussão para tocar do erudito ao rock e iniciar parcerias com nomes como Miles Davis e B.B. King.
A precocidade do jovem Yamandú Costa - que ainda adolescente chamava a atenção por seu desempenho ao violão de sete cordas - ajudou a unir as pontas dessas histórias.
Aos 28 anos e já considerado um dos maiores violonistas do País, ele encontra Naná Vasconcelos, 63 - eleito várias vezes o melhor percussionista do mundo pela prestigiada revista americana ''Down Beat''-, para uma série de quatro shows em São Paulo, nos quais serão gravados um CD e um DVD e que renderão um especial na TV Cultura.
''Yamandú não tem nem 30, eu tenho 63, embora veja 36 no espelho. Tocar com a nova geração rejuvenesce'', festeja Naná. ''Se posso tocar com gente mais experiente, aproveito. Já gravei com Paulo Moura, Dominguinhos. É uma sorte tocar com caras que já fizeram tanto na vida'', retribui o parceiro.
Não é a primeira vez que Naná e Yamandú sobem ao mesmo palco - o primeiro encontro, em Rio das Ostras, há alguns anos, repetiu-se em Angra dos Reis, Búzios, São Paulo. ''Mas, agora, com a responsabilidade de gravar, é diferente. É mais cuidadoso'', diz Naná.
Os dois interpretarão músicas como ''Brejeiro'', de Ernesto Nazareth, e ''Missionerita'', presente em ''Lida'', mais recente CD de Yamandú. Naná, assegura que no repertório não haverá nada que eles já tenham gravado. ''É possível que a gente faça uma versão do ''Trenzinho Caipira', do Villa-Lobos. E, vá lá, algo de Radamés Gnattali'', concede.
''O mais legal é justamente não sabermos direito como vai ser'', faz coro Yamandú, ressaltando o ''encontro de extremos''. ''Pode ter, por exemplo, uma improvisação minha em cima da música dos Andes, com ele numa percussão de maracatu, e assim vamos amarrando.''
Naná, que já tocou com o argentino Gato Barbieri, diz ter ''familiaridade com essa praia''. ''O vanerão se parece com o forró, o baião. Vai ter café nesse bule'', resume.


