Todos os domingos, pela manhã, ele arranca sorrisos da audiência sintonizada no ''Esporte Espetacular''. O sucesso de suas charges eletrônicas, porém, começou bem antes de aceitar o convite da Rede Globo. O carioca Maurício Ricardo Quirino, que abriria ontem à noite o ciclo de palestras do 2º Encontro de Comunicação Social (ECOS) da Faculdade Metropolitana IESB em Londrina, tornou-se exemplo de empreendedor bem-sucedido na internet.
Desde 2000 ele mantém o site www.charges.com.br, criado por diversão e posteriormente transformado em fonte de lucro e independência financeira. O site é o endereço virtual de humor mais acessado do País, com mais de 120 mil visitas por dia. Maurício trabalha com criação, roteiro, desenho, animação e dublagem de seus personagens. Além de mostrar suas charges animadas, feitas com o programa flash, o artista desenvolve ali uma intensa interação com os internautas, que comentam, criticam, elogiam, sugerem e até dão notas às charges.
Lançado em 2000, o site logo começou a chamar atenção dos grandes portais, instalando-se no ano seguinte no extinto portal Zip.net. Em 2003, passou a fazer parte do portal UOL, iniciando uma trajetória de premiações faturando alguns dos troféus mais importantes da internet como o Prêmio Info da revista Info Exame (que conquistou quatro vezes) e o concurso IBest (do ano passado).
Nascido no Rio de Janeiro, Maurício foi criado em Uberlândia (MG). Trabalhou como jornalista e tocou baixo numa banda. Na próxima segunda-feira, ele comemora aniversário de 44 anos. A seguir, leia trechos da entrevista feita pela FOLHA2 com o chargista.


O que você costuma falar em suas palestras?
Conto sobre minha experiência na internet, com foco na mistura que consegui fazer entre o meu lado artístico e o lado empreendedor. Procuro comentar alguns trabalhos marcantes e tentar chamar a atenção para o potencial que a internet tem pra alavancar carreiras e propagar de idéias. Hoje não é mais tão importante viver no eixo Rio-São Paulo pra se ter um projeto de alcance nacional. Creio que essa realidade é legal tanto pra mim, em Uberlândia (MG), quanto para o pessoal de Londrina.

Como surgiu a idéia de criar o site charges.com.br ? Você já tinha expectativa de que ele faria o sucesso que fez?
Eu já vinha fazendo cartuns em jornais locais e tocava em diferentes bandas de rock. Venho de uma família de gente ligada à rádio, então herdei também uma certa facilidade pra fazer as vozes. Quando surgiu a internet enxerguei a possibilidade de unir essa bagagem de vida num produto só. Eu já passava dos 30, tinha mulher e filhos, e acreditei, sim, que poderia viver disso um dia. Mas o alcance superou minhas expectativas mais otimistas, o que me deixa muito feliz.

O que a internet significou para você e para os profissionais que atuam nas áreas do charge e do cartum? Quais mudanças ela trouxe para a atividades de vocês?
Uma porta para o mundo. Havia filas de cartunistas à espera de uma vaga em jornais impressos. Hoje eles encontram o próprio público publicando nos seus blogs. Ficou mais fácil também prestar serviços para outras cidades, ter acesso a salões de humor e absorver tecnologias que melhoram a qualidade do desenho ou fazem o profissional ganhar tempo.

A internet revelou novos talentos que você desconhecia?
Ela revela o tempo todo. O bonito na rede é essa democracia da divulgação viral: um passa o arquivo pro outro, que passa pro outro... e o alcance cresce de forma piramidal. Os irmãos Piologo do ''Mundo Canibal'' são um exemplo. Antônio Tabet do ''Kibeloco'' é outro. Muito mais difícil do que ser revelado, entretanto, é se manter em evidência no mar de informações que a internet oferece. Os exemplos que eu citei são relevantes justamente porque, como eu, são pessoas que estão sustentando uma produção constante e se sustentando através da rede.

Quais as diferenças entre criar charges para o papel, para a tela do computador e para a televisão?
Tecnicamente a diferença já foi maior, quando a Internet era mais limitada em termos de velocidade e os computadores não tão eficientes. As charges tinham que ser menos animadas, com menos desenhos e mais curtas, pra evitar que o arquivo ficasse muito pesado ou que não fosse executado direito por todas as placas de vídeo. Na TV sempre houve a limitação do tempo, mas não da complexidade das imagens e movimentos. Hoje as duas mídias caminham rapidamente pra uma convergência. Tematicamente a diferença é de ordem editorial, porque são veículos distintos e que alcançam públicos com características específicas.

Qual foi o principal desafio para produzir charges animadas para o Esporte Espetacular?
Escolher boas pautas. No site eu posso falar de TV, política, comportamento, mundo... O leque é bem mais amplo. No programa ficamos limitados aos temas ligados ao esporte e é mais difícil selecionar o tema. Nesse ponto a equipe do programa me ajuda muito, trocando idéias e sugestões.

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