Procusa é um inquieto garoto de 12 anos. Morando numa pequena cidade do interior, fica fascinado quando vê pela primeira vez uma árvore anã num vaso, um bonsai. Para quem não sabe, bonsai é uma técnica japonesa de reduzir o tamanho de plantas com finalidade ornamental. Um pinheiro, por exemplo, que normalmente atingiria cinco metros de altura, com essa técnica é controlado para atingir apenas dois palmos.
Procusa conhece a arte dos bonsais pelas mãos de um homem muito estranho, um sujeito enorme e arredio chamado Sr. Jai. Após o encantamento inicial, o garoto passa a refletir sobre a tentativa das pessoas em controlar e alterar as plantas e a natureza como um todo. Então começa a perceber que ‘‘quando a natureza deixa de ser de todos e passa a ser de uma só pessoa, é como se perdesse a liberdade’’.
Com a ajuda de seu professor e dos amigos, Procusa começa a investigar a vida do Sr. Jai, a pensar sobre suas palavras. E assim descobre coisas nada agradáveis. Descobre que, além de reduzir o tamanho das plantas, o homem também reduz o tamanho de cachorros aprisionados. Como se não bastasse, também realiza secretas experiências para a redução de pessoas. Tudo contra a vontade das plantas, dos cães e humanos. -
As aventuras e descobertas de Procusa estão em ‘‘O Senhor dos Bonsais’’, romance infanto-juvenil de Manuel Vázquez Montalbán publicado pela Cia. das Letras. Com ilustrações de Cárcamo, o livro mostra como o ser humano é capaz de estender o domínio - o poder - sobre plantas para o domínio sobre os animais. E o domínio sobre o animais para o controle das pessoas. Também relembra que a palavra, seja escrita ou falada, pode ser utilizada como instrumento de dominação dos ricos sobre os pobres.
Manuel Vázquez Montalbán é atualmente um famoso escritor espanhol, autor de dezenas de romances policiais. ‘‘O Senhor dos Bonsais’’ é sua primeira experiência na literatura infanto-juvenil. Mesmo utilizando uma receita comum para as aventuras de Procusa, consegue inserir no texto discussões com significativa profundidade. Apresenta diferentes visões de mundo, algumas que levam em conta o ‘‘outro’’, outras que apenas levam em conta o ‘‘eu’’.
Uma das coisas que Procusa experimenta em ‘‘O Senhor do Bonais’’ é que, apesar de respeitar as diferentes visões de mundo, devemos refletir sobre elas: ‘‘Devemos permitir que qualquer ser vivo cresça e cumpra seu ciclo lutando contra a ameaça da morte. Uma ameaça que às vezes vem de fora, mas que também está dentro de nós mesmos. Temos que ser donos desse relógio que marca a duração de nossa vida e temos de ser donos de nosso tamanho, seja ele qual for.’’
SERVIÇO
‘‘O Senhor dos Bonsais’’ de Manuel Vázquez Montalbán, ilustrações de Cárcamo, Editora Cia. das Letras, tradução de Rosa Freire d’Aguiar, 88 páginas, R$ 19,00.

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